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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Estratagemas lunares

 Fiz um pedido as estrelas mais brilhantes
Cintilavam em gracejo, sorri.
Dimensionou entre os astros um feixe de luz
A aurora se aproximava diante de mim.

Com os pés molhados, admirava a imensidão
O raiar do dia adentrou em minha gôndola,
Aquecendo-me, iludindo-me de amor

As estratagemas lunares caminham ao redor
Sou parte de mim, e do plano do espaço.
Uma centelha de vida entre zilhões de partículas
Faço minha contribuição no universo, existo!

Entre as ondulações da terra, pairo feito folha outonal
Atribuo ao infinito sublime,
O mistério de meu consciente.


- Marcos Leite



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pedido estelar






        Quando a aurora boreal apontar no cume dos montes, perpetuará o frio e a dissonância única das ilusões óticas, um sinistro brilho de cores dúbias, dosam a íris e o consciente, há o que interpretar desta valsa gigantesca de proporções belíssimas? Estamos dentro da sintonia idêntica e a similaridade compartilha a respiração efêmera e extasiante.
     Como num inverno devastador, as lembranças que ocorreram trepidaram no desfiladeiro do destino, ungindo de esperanças e a saudade modéstia parte, mas não percebes ainda que o nivelamento dos dias só se dá com o tempo? Hei ainda de sugar um pouco do brilho das estrelas opressoras, as que estão mais próximas de nós dois. 
       A pressa não é amiga, o que marcamos para ser real já se estende por mais de dois anos. O que esperaria de apenas uma noite ou um acordo feito entre testemunhas desprezíveis. A resposta só pode ser a mesma da qual quase todos na terra já ouviram. Nada! 
       - Acorde! 
       - Mas não estou dormindo. 
       - Deduza que sim, um dia quem sabe encontre o sono perfeito. 
    - Permitiria ainda um dia encontrar-me numa avalanche esquiando ao invés de simplesmente ser atingido por toda a neve? 
      - Se estas concorrendo a uma vaga no outro lado, pode fazer, mas tenha plena certeza que não estou pleiteando tal posição por agora, estou um pouco confortável aqui ainda.  
       - Qual tipo de sonhos posso escolher? Acho esse jogo confuso. 
       - Feche os olhos! 
       As intenções são calibradas pelos corações e cérebros de acordo com as possibilidades e sentimentos, um beijo inclusive tem a intenção particular de escolher entre o amor e o sexo, e inclusive o asco, existem bocas lindas, finas, carnudas e molhadas, anunciam algo ao olhar, mas inibem em muitas vezes o inebriante êxtase da paixão, acerca de que o prazer em inúmeros casos é colocado na dianteira. 
       Na vida estamos dispostos a tudo, as direções são escolhidas vulneravelmente e as consequências são o produto de nossas determinações cerebrais, às vezes não é tão interessante como deveriam ser, e em outras são melhores do que esperamos. E existem coisas que não controlamos, não esperamos que aconteçam, pois, fluem inesperadamente, acho que isso começa com um beijo. 
       - Oras, ainda não interpretou? 
       - Estou cansado de ficar com os olhos cerrados. 
       - O que vê? 
      - Uma imagem negra que aparece de vez em quando traços brancos, cinzas, imagens de meu inconsciente e algumas vezes você. 
       - Já começou a me enxergar? 
       - É pra isso que pedistes?
      O gelo nos polos nessa época é ainda mais belo, e quando percebidos doam sua beleza, nos acometendo a imaginar que são a fumaça solida do céu, alvos, brilhantes ao longe, gélidos a ponto de se tornarem únicos, e imensos. Resta apenas dois seres nesse lugar lindo, onde as estrelas nos sondam, a lua é maior que podemos pensar e a quietude cria a ambiência de um encontro romântico. 
       Estamos distantes da terra neste lugar, não há qualquer silvo, as árvores não existem aqui, e a possibilidade de encontrarmos alguém parecido conosco é mínima. Nos apresentamos mais próximos do espaço neste momento, e até mesmo o ar é mais difícil de aspirar. Duas almas, juntas e únicas, um enlace. 
       - Qual foi minha feição em seu quadro negro mental? 
       - Você estava mostrando a língua, como sempre fazia para me atormentar. 
       - Merecia em muitos casos. 
       - Mas estava linda! 
       - Sequer meus cabelos estavam arrumados? 
       - Não reparei. 
       - Nunca reparou. 
      - Senti sua onda de insatisfação, mas sabe que isso é o que gostaria de ter feito agora, te estressar, acho que sempre vou te estressar. 
       - E acho que por isso me cativou, com sua eterna implicância. 
     Um brilho estelar cortou o céu e deste todos aqui neste planeta perfeito já conheceram a lenda, ou ainda conhecerão. Assim que uma estrela cruza as outras em um maior esplendor, ela compartilha a possibilidade de fazermos um pedido e quando de coração dizem que eles são elevados ao criador. Os mitos não são de todo mentirosos, se existe tal ditado conhecido por milhões, quem foi o gênio brilhante que o inventou? 
       A luz cruzou nossos olhares, neste momento meus olhos já admiravam os céus, e minha companhia também, estávamos de mãos dadas a contemplar tão magnitude esfuziante, demorou por cerca de dez segundos, nunca antes em minha vida tinha visto algo tão longo e intenso, foram os dez segundo mais bonitos de minha existência, a minha alma gêmea e a perpetuação do maior presente ocular concedido a nós dois. 
       Uma lágrima flanou sobre as maças de meu rosto invariavelmente, e um frêmito me atingiu levemente, conheci o real sentido do amor, e estava pronto a compartilhar. 
       - Qual foi teu desejo? 
       - Desejei... Bem, eu desejei que você ficasse aqui até o fim.
       - O meu foi o mesmo, mas ainda não me tornei de carne novamente. 
       - Estou esperando a intercessão da estrela cadente. 
       - Eu te amo! 
      - Eu amo você também, e todas suas facetas de me encontrar até que termine teus dias. 
       - Se as estrelas não me ajudarem, vou esperar todos os invernos para poder vir aqui, e assim que a aurora boreal brilhar saberei que você me encontrará. 
       - Tenho que voltar. 
       As sílabas chegaram com atraso com cerca de um segundo, e as palavras se formaram lentamente em meu consciente, e percebi que apenas daqui um ano eu a poderia encontrar novamente e as diferenças entre o mundo e o amor já tinham sido liquidadas, eu esperaria até o fim, me ajuntar com teu espírito e vivermos juntos na imensidão. 
       - Deixe um pouco de tua existência comigo. 
       - Mas sou uma fantasminha. 
       - Me beije! 
       Após o dócil beijo, vi sua luz subir no horizonte, era ainda mais bela que a estrela, e então me dei conta que talvez aquela que raiou para nós, poderia ser outras pessoas apaixonadas que já estão juntas, e percebi que a porta está entreaberta para nós, e em meu peito a ânsia de teu amor busca o tempo todo por algum sentido, as palavras bonitas e o sentimento eterno pairam sobre mim, e eu me despeço com um sorriso entre lágrimas e o fervor da paixão. A esperarei para todo o sempre... 

- Marcos Leite



sábado, 21 de dezembro de 2013

Memórias de Nina - Existência


Parte 2

Me aventurei em minhas possibilidades cruas, pálidas e insossas, o que eu poderia ser além de mim mesma? Penso as vezes que as qualidades dos demais sempre vão superar meu entendimento, de uma jovem em constante mudança, e a velhice se aproxima como uma grande carruagem espartana. Acho mesmo que estou sozinha aqui. O mundo é recheado de pessoas e animais, casas, dinheiro e árvores. Em apenas um segundo o planeta inteiro sofre mudanças enormes, e eu mesma posso sentir apenas o leve toque de uma calmaria.
       Se há milhares de moças como eu, porque ainda não encontrei alguma que fosse, poderíamos fazer uma tatuagem parecida, criar um selo de irmandade, e em um dia quem sabe ao longe quando os rapazes nos avistassem, poderiam pensar que somos irmãs.
         Há tanto o que pensar sobre as ofensas cotidianas, embora os dias sejam lentos e os anos absurdamente apressados, me sinto como se estivesse liquidando todos os pensamentos vis, o perdão e o desapego fazem parte da vida adulta e estou saboreando de forma tao saudável que ainda posso crer que talvez eu não seja tão exclusiva assim. Mas parece que as vezes estamos entre uma bifurcação entre o bem e o mal, pensamos em grande parte das vezes que se todos estivessem bem o planeta seria alvo e sorridente, e o que deixamos de alcançar o torna sujo, a frustração. Gostaria que não me cobrassem tanto sobre as escolhas. Mas eu Nina, porque ainda tenho de me apropriar de tais respostas se sou a proprietária de minha existência?
          Em um passo apenas consigo corrigir o desvio e um pedaço de papel que se dobrou, os meninos em cima da arvore não param de gritar, acho que estão eufóricos com a presença de um tucano na arvore vizinha. Caso eu tenha me permitido a olhar para eles, estou um pouco feliz pelos meus lábios também se contorcerem de forma sutil e alegre. O que se leva de todas as incongruências encontradas ate agora? Um pouco mais aqui me dedicando a meus botões e a salada de cenoura será abortada para um omelete engordurado e calórico. Mas se não há problemas qual a graça de se viver? Ainda não estou no céu.
          A morte é o frenesi evitado por todos. Onde as células deixam de reproduzir, e as estrelas anseiam por seu brilho, tornar-me-ei uma. Enquanto isso, penso que isso é triste, alguns se vão e os caminhos entortam, a saudade talvez perpetue até mesmo sobre as estrelas brilhantes, sendo assim o pó do passado me fisga de imediato ou recorrerei ao juiz do tempo?

- Marcos Leite


domingo, 23 de junho de 2013

Cativar

Cativar-me-ia aos teus mais belos perfumes
Permitindo assim um reflexo de luz
A qual a terra se lamenta em não ver
Ondulando a beleza em cataclismos singelos

Se atenuassem teu brilho magistral
Chorarias por não conheceres teus olhos lívidos
Fazendo de mim um mero expectador
As facetas obsoletas dos demais no mundo.

A ti, fui predestinado a colher sorrisos
Pairando meu fôlego deprimido
A teus fados, longes de mim, quem és tu?

Ah! Me apetece tua presença,
O singelo motivo de permanecer junto a mim
Ditaria ao espaço que bruxuleasse estrelas
Em uma fermata, findando um beijo em ti.

- Marcos Leite

sábado, 25 de maio de 2013

Sorvo de gim

               Após lançarem esconjuros maledicentes, conjeturando possibilidades afins a sucumbirem-me por terra, chego de minhas influências vis, um ato sutil e postergado, localizado e encenado por uma trama cabal, ofuscando as probabilidades do blefe e contrariando as missivas idealizadoras das constituições civis.
                Perscrutando os lados, a passo largos, corto as vias cingindo o ar com minha fúria, as narinas expulsam a ira, e minhas ventas gélidas retorcem, ao menos trato de exalar toda a possessão aos caminhos baldios, enumerando troças e vitupérios a meus remanescentes amigos de outrora.
                Gesticulo ao aferir meu relógio dourado, puxo suas correntes, e o iço, estou comportadamente correto com meu intuito, as nuvens rubras se escureceram há cinco horas, e estão negras como o alto mar, e a lua brilha como um farol, estou a ponto de me esgueirar em meu prazer, solicitando aos deuses um pouco de bajulo, retrocedendo da culpa que jamais fora minha, e observando as tramas fabricadas dedicadas a minha ruína. Meus valores caídos por terra, posição de homem arruinada e um grande escárnio sobre meus ouvidos. Pagarão!
                Nas dependências do lupanar, cá estou, olhares de desprezo me seguem e tamanha frustração para aqueles que absorveriam minha  queda como o gosto de sidra numa traça colonial. Ruborizo, assento e peço uma garrafa de gim. Sentimentos presos de meu ser e o gosto acetinado que ronda em minha língua, seguro a ponta do indicador com meus dentes, as presas tracionadas a minha unha, eu a arranco de assalto. Um esguicho de sangue, a dor continua e o sadismo instauram em meus pensamentos. Serei feliz.
                O lenço trocado pela quarta vez se emerge na pele nua e traga um pouco menos de sangue, suponho que estou cicatrizando, mas nada me da menos angústia que a espera da bela e o mancebo. Apontam suas faces sobre o vitral espelhado, olho de soslaio e os convido para um papo de cavalheiros.
                - Ainda tens aqui tua presença?
                - Cá estou Mauro, aventuras ainda com essa donzela.
                - És muito bela.
                - Sim, a vejo, e ela me vê também.
                Os cabelos negros de Perla, a jovem que acompanhava o ministro, a cidade esgueirava a conhecer a dama que o tragara para si, como um objeto de teus desejos mais íntimos, a volúpia e a sonoridade com que a chamariam após o divórcio e a mudança de lar. Por sua vez, não tratava apenas de enamorar-se com ela, permitia até que a mesma cuidasse de alguns títulos financeiros, sonegando ao Estado impostos e requisições. Como um acordo de cavalheiros, o casal se espelhava em golpes altamente conceituados, e proporcionavam a si mesmos a soberba entre os demais.
                Presumo que estão a ponto de liquidar-me, se não o tivessem desmoralizados, os meus registros fotográficos em um lupanar e o grande ministro entre a cidade e a aristocracia, não seria necessário o litígio moral e o matrimonial, seja com os eleitores ou a esposa.
                - Sugiro que tomemos um pouco de gim - Interpelou a dama.
                - Como queira, sentem-se, não ficarão a noite toda assim?!
                Os passos não condizentes das faculdades mentais de meu caro companheiro que no qual a pupila de meus olhos insiste em admirar, colhem o ódio que tal feitor impusera sobre mim as chagas de uma carreira majestosa, obviamente colaborara em assassinar meus resquícios de luz na arte, objetivando aos críticos a mínima aceitação de todas minhas criações emblemáticas a proferir a cintilante opinião sobre a cultura e as possibilidades futuras de uma nova organização social. Menosprezo que tuas estratégias tenham dado certo, obtendo ônus contra meus críticos, fez me naufragar em passos rápidos.
                Ainda que não tenham percebido meu flagelo o exasperei as tuas vistas e desdobrei o lenço que cobria meus dedos, e acentuei um escárnio sem pestanejar.
                - Vês Mauro, os críticos me tiraram também a unha.
                - Talvez o tenha merecido.
                - Tua família ainda o admira? – Sorri cinicamente
                Senti que minha zombaria o afetara, e a acompanhante sorria em teu ser com prazer ao que liquidara teus dotes e o casamento com tal gracejo, que se sentiu nas nuvens em um píncaro de safiras ao ouvir tais palavras. Requererá outros copos, estamos há uma hora em nossas mais sulfúricas palavras. E necessito dosar um pouco de meu grave sonido, para que sorria educadamente.
                Ao colocar mais uma dose posta a mesa, as luzes do palco se acenderam e a meretriz bailou a primeira canção da noite, e o espetáculo procedeu, ao que me referiria a um golpe certeiro eu o conclui, aos trejeitos da que dançava, os olhos de todos fitavam com tal prazer que obstinariam a segui-la por horas.
                - Vejo que é a hora de partir, a prima donna se apresentara.
                - Fique Marcos, estamos prazerosos de tua presença.
                - Mauro, apartar-me-ei. Mas antes, o último brinde!
                Brindaremos o ultimo gole de uma só vez, e sem que percebessem em um de minhas visitas aos toaletes, cortei com meu dente a unha que há pouco havia arrancado, e mergulhei numa solução de ópio e eserina, ainda pingando coloquei metade em cada copo, sem que pudessem pensar, em nossa mesa havia tantos corpos e carnes que assumo a certeza que sequer notaram, ao que pudesse parecer estranho, coloquei um pouco da solução em cada recipiente, cerca de um dedo cada, e no balcão pedi que o garçom o completasse com gim e meia cereja cada.
                - Este é o ultimo drink, pedi que o maitrê fizesse tal esmero a meus convidados.
                - Beberemos em um só sorvo. – Disse Perla, que a quantidade excessiva de álcool já  administrava seus pensamentos.
                - Levantemos os copos! – Disse – A nossa amizade!
                Após engolirmos percebi a face de ambos retorcidas pelo gosto incomum e rimos uns aos outros, entre nossa amizade feliz e os esconjuros posteriores, afastei-me e os admirei o com o cair da noite, quando as nuvens iam-se além da maestria da madrugada, elas beijam a terra, e a cerração caia sobre as janelas do lupanar.
                De minhas convicções sádicas tive o prazer de analisar e participar levemente da queda de Perla e Mauro, fazendo-me lembrar a todo o momento o pedaço de unha que jazia em seus estômagos, reconheci os rostos macilentos caídos no tecido aveludado do sofá que estivera há algumas horas, e o semblantes descrentes dos novos companheiros que se aproximaram deles e não formulavam a si próprios a revelação deste caso desconhecido.
                Completamente consternado diante os demais, toquei o rosto dos corpos e disse em bom tom, estão mortos, fechei minhas pálpebras e baixei meu chapéu em honra aos meus adoráveis companheiros, acreditando até mesmo que fosse um sonho ébrio e as possíveis extremidades do caso adquirissem outra rota a finalizar.
                Esmaecido e sem vitalidade, caminhei para fora, e despedi-me dos demais, caminhei sem trocar passos, e assumi minha virilidade e meu corpo ereto, que há pouco estivera encarquilhado com tal catástrofe noturnal.
                Uma onda de orgulho e satisfação brotou e de assalto olhei para o céu e as estrelas brilharam como as iniciais dos defuntos, e em meu riso macabro saboreei o instante com prazer, vingança e realização.
                 - Marcos Leite

                


segunda-feira, 4 de março de 2013

Mães, seres de luz


Ao abrirmos os olhos no colo maternal, temos a intensa percepção do amor, da bondade e do carinho, a natureza e as bênçãos agem involuntariamente. O primeiro olhar,a graça divina de se multiplicar, e a fragilidade do coração de uma mãe ao ver seu filho desabrochar para o mundo.
                Os anos são como sopros de flauta, doces e altos, mas breves, nada se opõe ao tempo, ele chega e nos leva como uma maré revolta, o círculo vital da existência humana e a chama fumegante da glória da vida. Há momentos que nos damos conta o quanto privilegiados somos. Atentando-se as cores, as flores e as águas, nada seria belo, se não tivéssemos a consciência da beleza do viver, e nem mesmo entenderíamos o que é ter tal galardão.
                Preocupações e desafios, estamos grande parte do tempo neste limite entre a loucura e o desespero, embora, lembrássemos das coisas que nos fazem bem, trataríamos de respeitar nossos familiares com maior doçura ao invés de conjectura.
                Um dia deixaremos de brilhar e de fazemos parte da terra, estaremos em outro lugar, e deixaremos fragmentos, pessoas e os filhos, os quais jamais esquecerão o quanto de amor dedicamos, pode-se pensar que estamos num desfecho com olhos vencidos, onde os marinheiros não possuem mais mira, talvez estipulássemos que o tempo e as outras pessoas proferem palavras, e algumas alimentam o coração com a plenitude e outros acalentam-no a miséria.
                Ninguém além do Pai, cativarias tanto a amor a ti, se não fosse a que estivera grávida, nos braços dos quais pousou pela primeira vez, e do perfume intrínseco materno. Quando deixam de existir, as mães se tornam estrelas distantes, das quais estamos sempre procurando, acerca de que um dia quem sabe consigamos ouvir sua voz doce novamente. São estrelas nobres, brilhantes e esfuziantes, e Deus é testemunha, que se não existissem lá, lá no paraíso, um pouco menos de luz teria na terra e nos céus.
                Na ternura de teus pensamentos, nas lágrimas ou na saudade, sempre se recordará as páginas de sua história, não encontrarás ninguém que cozinhe tão bem quanto, ou alguém que te cubra numa noite fria caso seu cobertor esteja estirado. Sentirá saudade até mesmo das repreensões, e o esplendor de tuas palavras sinceras de graciosidade, dissiparão sempre em teu semblante quando falares delas.

                - Marcos Leite



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Bilhete de loteria


                Estamos a beira do abismo, quase sempre, pensávamos assim, pensamos assim e pensaremos assim, acerca de qualquer problema que o destino nos atribui em forma de presente. Ter problemas é tão comum como escovar os dentes, já faz um bom tempo que temos problemas, e tais na maior parte das vezes resolvemos, entre a aflição de pulsações elétricas de nossa mente e outras vezes a pressão do meio.
                Assustador não é o que temos de enfrentar, sim o que temos que suportar, num regime com mãos de ferro, os problemas são aos poucos conformados, os assassínios e punições se tornam banais, um dia, uma estatística nova, dois dias, outra nova estatística. Para que se importar com as dificuldades que tens, sendo que a falta do dinheiro talvez só adie um luxo. Ou quem sabe, possa tirar da forca alguém, se puderes, evite tal problema.
                A saúde é como uma ampulheta rechonchuda, aos poucos se esvai, mas sempre pensamos que, ainda estou novo, estou forte e nada me acontecerá. Porém, o vidro que isola a areia vital, não passa de três milímetros de espessura.
                O grande golpe que sinto em meus dias não são o trabalho, nem tampouco as horas que o trânsito suga, mas sim minha inanição espiritual de não obter sequer um sentido diário para meu ser. Um dia e outro, e mais outro, todos idênticos, vidas comuns, pessoas comuns, sem nenhuma breve genialidade, embora, quisesse entender tudo que se passa, vou prorrogar isso ainda mais, comprarei um livro de filosofia, e pensarei como ele, acerca que seja respeitado, mesmo sem que possa discordar das estapafúrdias que ali estão dissertadas.
                Quanto mais pensamos na futilidade humana, menos saímos dela, ainda duvido que tenha deixado de usar a internet para seu próprio gozo, ofuscando sua consciência intelectual de absorver conteúdos imprescindíveis para teu desenvolvimento perante seu próprio ego. Raro, agora, se mentes, não enganas a ninguém.
                Perambular pelas vias nuas e lúgubres, cria a atmosfera natural da solidão e do amor por tal situação, se conheces o negro da noite, se encantará com o bucolismo das ruas, mas seja sensato se não perceberes nada, poucos percebem, há coisas mais urgentes e isso não passa de um diálogo de malucos.
                Piegas e vil, gratificante o modo que grande parte dos continentes insinuam sobre a vida, uma tarefa árdua, trabalho, trabalho, pouco dinheiro, muito a se fazer, Deus é o grande culpado, se ele existisse, no mundo não haveria fome nem guerras. Oh! Lamentações e heresias. O mundo é uma farsa, onde todos reclamam demais por não ganharem na loteria, mas sequer compram o bilhete.
                Os dias são mais nobres quando se está velho e cansado, pois, cada dia vale o gosto de aprecia-lo, breves vinte e quatro horas. E a beleza das manhas continuam a florescer e o espaço imenso da noite nos acomete as luzes das estrelas.

                - Marcos Leite


sábado, 6 de outubro de 2012

Você me perdeu



                Ligaria os fios, ao reconhecer o êxtase da plenitude, se tais delicados e graciosos fios dançassem no ritmo do amor, flutuando e estendendo até a luz engrandecedora do astro solar. Apetece-me, o semblante dócil, os olhos cativos e os lábios trêmulos.
                O condensado ar exalado de seus saudáveis pulmões germinam o pleno carinho em meu peito, traçando a inexatidão abstrata do sentimento mestre da existência, obrigando me a embriagar e reconhecer o mais sublime frescor do amor.
                Concederias uma dança? Os olhares ternos se emoldurando ao engrandecedor rastro da beleza, a qual nossa aura esfuzia e torna o tempo mais vagaroso. Se pudesse, estaria pela eternidade bailando contigo, garantindo a nós o intento da paz.
                Martirizando minha estrada desconexa entre a razão e o lirismo, mas ai de mim, preferível um jogo retórico, contornando então a montanha, e assegurando as malevolentes intenções. Agirias até consigo mesmo?
                Um trato em meu paletó, a cabeça erguida, os breves cachos engomados, aspirarei o futuro acolhedor, e repararei as parcelas e quadros de tempo a serem provados. Ai de mim, se estivesse próximo ao olhar esmorecido aliciando minha íris, de não sondar os campos vistosos do alvorecer.
                Um arlequim sagaz, politicamente longe de ser um deles, embora o coração esteja partido, não me contentaria de entristecer-me mais por ti, um alegre sopro de justiça paira aos meus ouvidos e intercede para que tal atitude seja garantida para a sucessão de meus dias felizes.
                Levo-te ao exemplo da humildade, fomentando a cordialidade ao teus passos, consolido ainda, uma grande gota de arrependimento para teu eu, saboreando com asco a perda do sentir, íntegro e bondoso.
                Besunto as estrelas com mel, impondo as claras em neve, e ofereço-lhe uma fatia, a qual o segredo, contarias ao honesto valor.
         
            - Marcos Leite

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Se nós flutuássemos


Inunda assim meu ser
Com a exatidão de amar
As polegadas tortas de meus dedos

Temporiza o olhar junto a lua
Sugando o tutano da luz
Acerca de enxergares o amor

Encontre-me então sobre a relva
Ao anoitecer...
Flutuaremos no ar a caminho das estrelas.

- Marcos Leite

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O beijo do esplendor


 O sol se deitara sobre a beleza da lua.
Afrouxando as ondas do mar.
De que seu brilho reluza
Como reposta a seu admirador.

Ao céu e entre as jovens estrelas
Faz confissões de seu último beijo
Bastaria um instante

Na alvorada, sua amada se esgueira
Entre as nuvens solúveis, está a olhar
O retumbante brilho

Esperam que o tempo,
Os presenteiem com seu encontro
Entre a penumbra do mundo
O beijo do esplendor.

- Marcos Leite


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pegadas foscas


Leria para você toda noite,
Acomodando as estrelas próximas as suas orelhas,
Revelaria a doçura,
Que de mim foste rejeitada.

Que seu perfume,
De minhas ventas jamais fugissem,
Que a aridez de seus lábios,
Se encaixassem aos meus.

Proporia um acordo,
Ainda que o tempo de mim zombasse,
Tornaríamos em um,
Ludibriando o passado.

- M. Leite




sábado, 11 de fevereiro de 2012

Saxupquy - O pacto

Capítulo 2 – O Pacto

  A noite dobrava e suas nuvens sopravam mais alto do que as estrelas podiam alcançar, frio e quietude, nenhum rastro de luz, os peixes dormiam. Ao se olhar pela imensidão do oceano uma luz gigante banhava ao longe, sabia-se que furos nas nuvens continha, mas era mesmo de se acreditar que estávamos numa nebulosa maldita sobre nossas cabeças, nenhum brilho podíamos ver.
- Simao! Para de falar sozinho, seja um menor patife, você é um marinheiro! Marujos não são como menininhas que tecem roupinhas para bonecas e se perguntam da dificuldade de perfurar o algodão!
- Canebre! Não me encha com suas troças.
- A hora esta próxima!
- Não quero falar mais dessa idiotice, se me respeita, peço que pare com essa toda zombaria, já estou de saco cheio com toda essa historia. – Disse batendo a mão sobre o parapeito.
- Céus! Cale-se! Não sabe o que esta falando, um homem como você mereceria apodrecer nas profundezas das águas sem ter o direito sequer de estar embriagado! Continuou o Capitão – Se duvidas tanto de mim, porque não assovie e bata palma?!
Com um olhar semi-cerrado, o encarou.
- Lhe digo que se fizerdes isso e nada acontecer, ah sim! Não a cabeça minha rolará.
- Bata palma e assovie, faça isso quatro vezes.
O som do mar era insípido, podíamos entrar numa viscosidade ainda maior se pisássemos nas águas, pareciam negras como o ébano, nada poderia o salvar da morte caso vacilasse, se conseguisse a sorte de estar morto antes, apostaria uma morte menos macabra.
Um passo relutante pairou sobre a mente do marujo. As trevas que ali os cercavam eram tão negras que podiam apalpá-las, um sentimento de duvida no coração brilhava, algo fazia sua boca mexer descontroladamente, e o olhar cativo de Canebre o fez tremer das pernas e sentir o real cheiro do mar.
De assalto o primeiro zunido veio longo e cortado por uma palma, olhou para as extremidades e continuou, mais uma vez nada viu, apenas sentiu que o olhar do Capitão fervia e sua própria boca tinha dificuldade de lançar para o vendo o terceiro assovio. Ao cabal momento, com o peito aberto, com dois ou três botões que o cobria, com seus braços abertos e mãos esperando a serem tocadas uma pelas outras, zuniu o ultimo com tal forca que ecoou por todo o ar, invadiu as nuvens e a mostrou. Brilhava, como uma tocha de fogo no céu, ardendo e clareando toda e qualquer escuridão.
Continuaram calados próximo a beleza e magnitude da rogada, as águas que eram negras tornaram-se tão azuis como o tom da aquarela, e borbulhavam feito a lava dos vulcões, ventos que comandavam amenamente as nuvens, jorraram água e sopro nas velas do Mademoiselle. Numa dança violenta e abrupta foram atirados para o sul , esturricados em seus próprios corpos, tinham mais medo do que uma lebre a espreita de um gavião.
Já não se via mais nada, a escuridão também encobriu os olhos de Simão, o flagelo de sua duvida finalizou e entregou de vez o peito para o inconsciente. 

Continua...

- M. Leite

 
 
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