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terça-feira, 13 de novembro de 2012

A esfinge nua


Desfeito os braços cruzados, entre as avenidas principais, os olhos pulam para as extremidades crepitantes, o ar é fosco e denso, o que se assemelha um golpe de fumaça, tal, muito conhecida pelos que grunhem entre os carros e as motocicletas.
Uma esfinge, gigante, urbanizada, com traços da Gioconda nos lábios e olhos severos, és assim, adentra o pensamento de que a vê, imóvel e nua, longe e fria. A companhia dos enlodados das ruas, com as velhas vestimentas e a grossa pele a vagar. Andarilhos, pedantes e mendigos.
Um piscar de olhos e nada disso verás, a intempérie se encarregará, o que se pode apenas suportar é um pouco mais de ar fresco longe disso, não tratará de conciliar-te mais com a esfinge, os dias e as horas serão apreciadas, a pintura gigante, esmorecerá de suas vistas. Queres um sino azul? O Natal está breve, se acalente, o preço não é tão alto. Apenas quero suas noites.
Uma fermata de pensamentos, assim, mas continue, não lhe restará muito deste corpo belo e jovial com o passar do tempo e a deterioração das ruas. Apenas o seus olhos, quero também admirar. Mesmo que os meus tenham dono, já estou com idade elevada, mas há fartura em meus bolsos.
Ainda assim com dedos imundos, vejo que serão alvos e dóceis, não apeteço a ti? Fale mais, estas de boca fechada, mas teu semblante lhe entregas.  Contemple-a pela última vez, ela não te devorarás, e de adeus para a esfinge.

        - Marcos Leite

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Saxupquy - O pacto

Capítulo 2 – O Pacto

  A noite dobrava e suas nuvens sopravam mais alto do que as estrelas podiam alcançar, frio e quietude, nenhum rastro de luz, os peixes dormiam. Ao se olhar pela imensidão do oceano uma luz gigante banhava ao longe, sabia-se que furos nas nuvens continha, mas era mesmo de se acreditar que estávamos numa nebulosa maldita sobre nossas cabeças, nenhum brilho podíamos ver.
- Simao! Para de falar sozinho, seja um menor patife, você é um marinheiro! Marujos não são como menininhas que tecem roupinhas para bonecas e se perguntam da dificuldade de perfurar o algodão!
- Canebre! Não me encha com suas troças.
- A hora esta próxima!
- Não quero falar mais dessa idiotice, se me respeita, peço que pare com essa toda zombaria, já estou de saco cheio com toda essa historia. – Disse batendo a mão sobre o parapeito.
- Céus! Cale-se! Não sabe o que esta falando, um homem como você mereceria apodrecer nas profundezas das águas sem ter o direito sequer de estar embriagado! Continuou o Capitão – Se duvidas tanto de mim, porque não assovie e bata palma?!
Com um olhar semi-cerrado, o encarou.
- Lhe digo que se fizerdes isso e nada acontecer, ah sim! Não a cabeça minha rolará.
- Bata palma e assovie, faça isso quatro vezes.
O som do mar era insípido, podíamos entrar numa viscosidade ainda maior se pisássemos nas águas, pareciam negras como o ébano, nada poderia o salvar da morte caso vacilasse, se conseguisse a sorte de estar morto antes, apostaria uma morte menos macabra.
Um passo relutante pairou sobre a mente do marujo. As trevas que ali os cercavam eram tão negras que podiam apalpá-las, um sentimento de duvida no coração brilhava, algo fazia sua boca mexer descontroladamente, e o olhar cativo de Canebre o fez tremer das pernas e sentir o real cheiro do mar.
De assalto o primeiro zunido veio longo e cortado por uma palma, olhou para as extremidades e continuou, mais uma vez nada viu, apenas sentiu que o olhar do Capitão fervia e sua própria boca tinha dificuldade de lançar para o vendo o terceiro assovio. Ao cabal momento, com o peito aberto, com dois ou três botões que o cobria, com seus braços abertos e mãos esperando a serem tocadas uma pelas outras, zuniu o ultimo com tal forca que ecoou por todo o ar, invadiu as nuvens e a mostrou. Brilhava, como uma tocha de fogo no céu, ardendo e clareando toda e qualquer escuridão.
Continuaram calados próximo a beleza e magnitude da rogada, as águas que eram negras tornaram-se tão azuis como o tom da aquarela, e borbulhavam feito a lava dos vulcões, ventos que comandavam amenamente as nuvens, jorraram água e sopro nas velas do Mademoiselle. Numa dança violenta e abrupta foram atirados para o sul , esturricados em seus próprios corpos, tinham mais medo do que uma lebre a espreita de um gavião.
Já não se via mais nada, a escuridão também encobriu os olhos de Simão, o flagelo de sua duvida finalizou e entregou de vez o peito para o inconsciente. 

Continua...

- M. Leite

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sulfetos cáusticos


Braços, pernas e costas cansadas
Dias corridos, passos relapsos, barcos sem casco
Balsamo alivia a alma
E cevada o corpo.

Deliberadamente negligencio telefonemas,
Sapiência cotidiana
Do escárnio eloqüente
Fumegantes dias seqüentes.

Paúra de minha mente
Desmembrada em delírios
Sínteses cotidianas
Caminhos tortuosos.

- M. Leite
 
 
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