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quarta-feira, 13 de março de 2013

Caminhe devagar


Atravessamos um era inóspita de sentimentos verdadeiros, partilhamos de sorrisos e alguns reflexos do prazer, tocamos a vida mais depressa, esquecemo-nos de beber água, e corremos para que nada saia do lugar, estamos num caos moderno, onde as pálpebras tendem a fechar e os ossos estão machucados das pancadas cotidianas.
Os dias correm com galeio, como um vai e volta de um balanço num singelo parquinho, se avistares crianças ali, és um sujeito de sorte, estamos restritos a emoldurarmos em nossas cadeiras, ligarmos os computadores e apreciar a diversidade de coisas e alternativas que a rede nos proporciona, nos distanciando de nossa vida em momentos, ao olharmos de soslaio, pode ser que veja uma porta, ou duas, de um guarda roupas velho com livros e discos, e estão empoeirando a cada dia mais, sem que você perceba o quanto de vida tens esnobado ali.
Há uma fabulosa sincronia de pensamentos, poderíamos tratar isso como um jogo, um banco imobiliário, ou quiçá, uma disputa de dardos, perscrutando nossos intelectos de um pouco mais de genialidade, hostilizando o seu presente comum, o que vês todos os dias no mesmo local, e lhe preenchendo de um sentimento incomum de êxtase, encontrar conceitos e teorias, nos trás um sutil sentimento de satisfação.
Ter vontades de mudar o mundo e o rumo das coisas, das pessoas e do seu próprio destino, há muitos que conheço que estão a espera deste mesmo bote salva-vidas, mas não vieram com o colete salva vidas, além do mais, as ruínas das terra não foram deixadas por homens que estavam dispostos apenas a fazer algo melhor em conjunto, observo que estavam a próprio punho de tuas perspectivas, e zombo que de alguns foram vulgarmente mal sucedidas.
A vida segue como um ribeirão, deságua num córrego, beija o rio e dobra-se no oceano, e quando seus pés estiverem cortados, teus olhos vencidos, e teus lábios sedentos, adentre à formosura das águas  esquecendo teus diagramas e planos, saboreando um grande gole de tua existência, e talvez perceba que a pressa e o dinheiro só vão lhe fazer ter menos tempo por aqui.

- Marcos Leite


terça-feira, 13 de novembro de 2012

A esfinge nua


Desfeito os braços cruzados, entre as avenidas principais, os olhos pulam para as extremidades crepitantes, o ar é fosco e denso, o que se assemelha um golpe de fumaça, tal, muito conhecida pelos que grunhem entre os carros e as motocicletas.
Uma esfinge, gigante, urbanizada, com traços da Gioconda nos lábios e olhos severos, és assim, adentra o pensamento de que a vê, imóvel e nua, longe e fria. A companhia dos enlodados das ruas, com as velhas vestimentas e a grossa pele a vagar. Andarilhos, pedantes e mendigos.
Um piscar de olhos e nada disso verás, a intempérie se encarregará, o que se pode apenas suportar é um pouco mais de ar fresco longe disso, não tratará de conciliar-te mais com a esfinge, os dias e as horas serão apreciadas, a pintura gigante, esmorecerá de suas vistas. Queres um sino azul? O Natal está breve, se acalente, o preço não é tão alto. Apenas quero suas noites.
Uma fermata de pensamentos, assim, mas continue, não lhe restará muito deste corpo belo e jovial com o passar do tempo e a deterioração das ruas. Apenas o seus olhos, quero também admirar. Mesmo que os meus tenham dono, já estou com idade elevada, mas há fartura em meus bolsos.
Ainda assim com dedos imundos, vejo que serão alvos e dóceis, não apeteço a ti? Fale mais, estas de boca fechada, mas teu semblante lhe entregas.  Contemple-a pela última vez, ela não te devorarás, e de adeus para a esfinge.

        - Marcos Leite

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pegadas foscas


Leria para você toda noite,
Acomodando as estrelas próximas as suas orelhas,
Revelaria a doçura,
Que de mim foste rejeitada.

Que seu perfume,
De minhas ventas jamais fugissem,
Que a aridez de seus lábios,
Se encaixassem aos meus.

Proporia um acordo,
Ainda que o tempo de mim zombasse,
Tornaríamos em um,
Ludibriando o passado.

- M. Leite




quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Estruturar-se ou adentrar-se


 Presumindo um feliz ano, aqueles que tem em seu consciente o tema ou escopo, aproveitar-se das circunstâncias e cruzar dessas mesmas hipóteses para lançar algo que seja proveniente de seu conforto. Palavras e mais palavras. Um inconstante sentimento de outrem ao ouvir o interlocutor?
          Ostentar-se a ponto de imaginar o quão grande é o trono que lhe espera pela grande e oportuna chance de alcançar o cume. Quanto a isso delibero uma suporta carnificina interna, entre os que sentam próximo a você e quem sabe empurrar alguns e outros pisar. Reticente ao ponto de achar que sempre está no direito ou mesmo questionar a soberba interior que habita no espelho pela manhã.
          Romper laços que jamais teve ou inibir possíveis concorrências. Até tu, Brutus!? Entregar-se ao tribunal mental de consciência ou remorso é tombar seu orgulho, toda sua altivez, garbo e ostentação, como ainda pode permitir?! Não permitiu, o que inebria os olhos alheios quanto aos sonhos proferidos por minha língua, não passaram de meras mentirinhas necessárias para o triunfo!
          Corrigir-se de tantos aspectos morais e plenos, quanto a isso a conduta já corrompida deixou esse bálsamo de lado, pois o interesse é dominar e nunca usar de indulgência para abrandar coisa sequer por algumas horas.
          O narciso faz-se de comunicação risonha, com lábios vermelhos, olhares fixos e muita soberba contida, usando de inteligência adquirida com a sua performance larápia de anos, utilizando de artifícios para seu próprio benefício. A quantidade de vantagens a si próprio vale mais do que qualquer empreitada.
          Suspender toda e qualquer atividade e deixar de compreender algum conceito é uma aresta fraca para se apoiar, tentar adquirir do vizinho um alicerce mais forte, mesmo que matá-lo seja o preço, sem suma dúvida obterá êxito!

- M.Leite

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Lábios semelhantes

            
               De súbito sua mão foi tocada por aquela outra grande e áspera, o som estava alto e o balcão úmido, as cervejas tinham sido muitas e toda aquela cortina de fumaça exibia um aspecto noturno comum.        
- Olá! Creio que aceita mais alguns goles, perto de mim?
- Se houver ânimo!
- Talvez eu o conquiste.
              Aqueles lábios sinuosos e vermelhos entre os pelos da barba por fazer falavam palavras legais e assertivas induzindo ao ponto que queria chegar, não era tão difícil naquela altura da noite que se encontravam, mas a realidade era propícia.
Copos e garrafas ao balcão, lábios que conversavam entre si, sem mesmo palavras, apertos e leves sussurros saltados das narinas ofegantes, nada era melhor, nem mesmo o álcool ou a música, pois o doce e flamejante contato bastava.
               Sob os tênis, calças jeans, camisetas bonitas e as barbas, foram-se embora, daquele tempo que restou foram momentos sinceros de desejo e euforia, e talvez um bilhete assinado com o telefone.

- M. Leite
 
 
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