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sábado, 26 de março de 2016

O mistério de mamãe

Lembro-me de quando era criança
Sozinhos em casa
Naquela manhã misteriosa
Apenas mamãe e eu estávamos

Meu coraçãozinho ansiava
No degrau entre a porta e a varanda
Fiquei de frente o rosto de mamãe
Confidenciou-me uma proposta

Beijou-me!
Com pompa e perfume
Íamos de mãos dadas
Em nosso segredo guardado

Esqueci-me dos demais
Já não me lembrava
Lado a lado, partíamos na surdina
Visitar vovô e vovó a largos passos.

 
- Marcos Leite




O segredo das mulheres

Recitavam os sábios alfarrábios empoeirados
Com suas vozes roucas e graves, uma lista floreada
De Marguerites, Coras, Cecílias, Lygias, Virgínias e Charlottes,
Espumas flutuantes da esplêndida valsa das letras.

Foram preditos pelas cartomantes, destinos suspeitos
Adocicados pelos versos melodiosos das poetisas
Arrebatados pela beleza incontrolável das nereidas e sereias
Cuidados pelas mãos sinceras e corajosas das mães.

Diziam ainda que a vida brota em seu cândido ventre
Onde o amor reconhece a vida
Sonha em pedaços, sem ainda conhecer, nem tocar
Mas já ama intensamente

Andam por nossas vielas,
Borrifam seu perfume nas malocas
Cantam com voz suave,
nos presenteando dias, com menores fardos.

Flertavam para os rapazes enamorados
Em noite de estrelas cadentes
Com olhares enigmáticos os afrontaram,
Devorados foram, amantes centenários,
Pelo segredo indecifrável das mulheres.
  
- Marcos Leite



domingo, 23 de junho de 2013

Cativar

Cativar-me-ia aos teus mais belos perfumes
Permitindo assim um reflexo de luz
A qual a terra se lamenta em não ver
Ondulando a beleza em cataclismos singelos

Se atenuassem teu brilho magistral
Chorarias por não conheceres teus olhos lívidos
Fazendo de mim um mero expectador
As facetas obsoletas dos demais no mundo.

A ti, fui predestinado a colher sorrisos
Pairando meu fôlego deprimido
A teus fados, longes de mim, quem és tu?

Ah! Me apetece tua presença,
O singelo motivo de permanecer junto a mim
Ditaria ao espaço que bruxuleasse estrelas
Em uma fermata, findando um beijo em ti.

- Marcos Leite

segunda-feira, 4 de março de 2013

Mães, seres de luz


Ao abrirmos os olhos no colo maternal, temos a intensa percepção do amor, da bondade e do carinho, a natureza e as bênçãos agem involuntariamente. O primeiro olhar,a graça divina de se multiplicar, e a fragilidade do coração de uma mãe ao ver seu filho desabrochar para o mundo.
                Os anos são como sopros de flauta, doces e altos, mas breves, nada se opõe ao tempo, ele chega e nos leva como uma maré revolta, o círculo vital da existência humana e a chama fumegante da glória da vida. Há momentos que nos damos conta o quanto privilegiados somos. Atentando-se as cores, as flores e as águas, nada seria belo, se não tivéssemos a consciência da beleza do viver, e nem mesmo entenderíamos o que é ter tal galardão.
                Preocupações e desafios, estamos grande parte do tempo neste limite entre a loucura e o desespero, embora, lembrássemos das coisas que nos fazem bem, trataríamos de respeitar nossos familiares com maior doçura ao invés de conjectura.
                Um dia deixaremos de brilhar e de fazemos parte da terra, estaremos em outro lugar, e deixaremos fragmentos, pessoas e os filhos, os quais jamais esquecerão o quanto de amor dedicamos, pode-se pensar que estamos num desfecho com olhos vencidos, onde os marinheiros não possuem mais mira, talvez estipulássemos que o tempo e as outras pessoas proferem palavras, e algumas alimentam o coração com a plenitude e outros acalentam-no a miséria.
                Ninguém além do Pai, cativarias tanto a amor a ti, se não fosse a que estivera grávida, nos braços dos quais pousou pela primeira vez, e do perfume intrínseco materno. Quando deixam de existir, as mães se tornam estrelas distantes, das quais estamos sempre procurando, acerca de que um dia quem sabe consigamos ouvir sua voz doce novamente. São estrelas nobres, brilhantes e esfuziantes, e Deus é testemunha, que se não existissem lá, lá no paraíso, um pouco menos de luz teria na terra e nos céus.
                Na ternura de teus pensamentos, nas lágrimas ou na saudade, sempre se recordará as páginas de sua história, não encontrarás ninguém que cozinhe tão bem quanto, ou alguém que te cubra numa noite fria caso seu cobertor esteja estirado. Sentirá saudade até mesmo das repreensões, e o esplendor de tuas palavras sinceras de graciosidade, dissiparão sempre em teu semblante quando falares delas.

                - Marcos Leite



segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pegadas foscas


Leria para você toda noite,
Acomodando as estrelas próximas as suas orelhas,
Revelaria a doçura,
Que de mim foste rejeitada.

Que seu perfume,
De minhas ventas jamais fugissem,
Que a aridez de seus lábios,
Se encaixassem aos meus.

Proporia um acordo,
Ainda que o tempo de mim zombasse,
Tornaríamos em um,
Ludibriando o passado.

- M. Leite




 
 
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