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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Encontro às claras


             A chuva molhava o pouco que restava dos vidros, pintando um quadro melancólico, sobre o qual sequer uma borboleta azul marinho pudesse voar, perturbando o ar metropolitano, nunca tal ser dócil poderia sobreviver por estas redondezas. Um raio esfuziante no céu, e alguns trovões reprimidos entre o deleite das nuvens na tarde escura.
                Ondas percussoras de vento sucumbiam o saguão do aeroporto, a temperatura intensa e a locomoção vagarosa das pessoas, contracenavam com rigor a ocasião, não apenas traçada pela conduta moral em um estabelecimento como tal, mas assegurando a atmosfera outonal que abraçava-os impertinentemente.
                Ao olhar para trás, reconheci uma mulher basalquiana, com apetrechos, uma maleta portátil de couro, e outra no chão com rodas pequeninas, trajava um corte em lã feito a mão, botas e um cachecol arroxeado, discretamente solto em seu pescoço. Aproximei-me:
                - Como mudara, tenho comigo que prosperou!?
                Ao olhar-me, hesitou e com um faceiro sorriso, proferiu – Aposto que tenha tido o mesmo êxito. Deu com a cabeça para trás e continuou – Quanta coincidência encontrarmos nesse local.
                - Talvez, estivéssemos marcado algo na faculdade?! – Sorri.
                - Acho que minha memoria não está tão boa assim.
                - Tens alguns minutos para um café, meu voo parte em 25 minutos, se pudesse...
                Antes que pudesse completar, ela sugeriu o café que estava há dez metros,
 assentamos, nos olhamos por alguns segundos, e percebi que não mudara quase nada com o decorrer dos anos, mas o semblante tinha se tornado respeitoso e vigoroso, uma mulher de negócios, com olhos firmes e sem muito exageros nas palavras. Suponho que não tenha pensado o mesmo de mim, já que não trabalhava no ramo há mais de oito anos, talvez pensou que eu fosse um desocupado, ou quem sabe um sonhador.
                - Como está sua vida? – Comecei
                - Uma pergunta genérica! Acho que tenho muitas coisas para lhe contar, mas acredito que não dê tempo.
                - Talvez tenha razão, és empresária?
                - Como não acertaria Marcos?! Sua perspicácia sempre foi aguçada. Não é mesmo?
                - Bom, caso encontre uma mulher com uma maleta de couro, pode pensar que é uma empresária, ou seria uma dentista?
                Entre gargalhadas, prosseguiu – Acertou, sou sócia de uma grande empresa, e estou numa condição favorável agora, e estou feliz com meu legado, não fiz nada que outra pessoa com mesmos sonhos que eu não o tivesse feito.
                - Sempre a vi como uma mulher obstinada e segura, aposto que está muito feliz. Adivinhe o que faço?
                - Não errarei, quer que eu diga assim de imediato?
                - Por favor!
                - Um escritor!
                - Está tão explicito assim?
                Cada minuto que passava, pensávamos o quanto tínhamos em comum, tencionando sempre a vida e a carreira, não eramos nada mais do que amigos, aqueles que a sentimos falta e saudade, ate mesmo das brigas e outras pequenas coisas, via em seus olhos a mesmo sentimento, todavia, o tempo nos reservou uma vida assim, feliz e distante, encontros assim nos faziam recordar que nada que o mundo nos pudesse proporcionar ou mesmo o gozo do dinheiro, supriria alguns minutos de palavras sinceras e próximas.
                - Viajará com seu marido no ano novo? Estamos muito próximo, sabe como são essas datas comemorativas, muitos fogos e pessoas próximas. - Perguntei
                - Ficaremos em casa desta vez, receberemos nossas famílias e alguns amigos que conquistamos juntos, acho que nossos filhos se divertirão muito.
                - São quantos?
                - Dois, um casal, tenho uma foto. – A tomou de sua carteira e me entregou, crianças adoráveis, com espirito de levadas, acho que sua paciência e amor por crianças quando a conheci, os envolveu de muito carinho e punho.
                - São adoráveis! Há alguém ainda para eu conhecer?
                - Tenho dois cães, ficam em casa, caso não tenha dito, mudei-me para o interior, e vivo entre os sons dos pássaros e a tranquilidade interiorana.  – Mas diga-me, para onde vais?
                - Vou publicar um livro em Marselha, na França, não creio que tenha muito alvoroço, um livro simples, porém, tive a oportunidade.
                - Acho que se teve, não deve desperdiçar, o comprarei. Mas exijo que tenha uma dedicatória sua, o que é um livro sem uma dedicatória, quando- se conhece o escritor? – Sorriu para o lado.
                Em um momento, ambos perceberam o quanto a vida passou, estavam ali diante de um passado bonito, colegas de faculdade, trabalho, entre algumas guerras, outros sorrisos, muitas guloseimas e saudades. Cada um com seu princípio e realização.
                Obviamente não podiam crer, de tudo que atinaram para seu futuro de uma forma ou outra, aconteceu positivamente, anos se passam rápidos demais, mas nada que a memória não restaure momentos felizes em todas as pessoas. Um dia assim, talvez uma página com milhões de histórias, corridas e aflições.
                Perceberam que o tempo se esgotara, e o adeus estava próximo, o que mais poderiam pensar no que se abraçarem e combinarem eventos futuros. No alto-falante proclamaram o embarque para ambos:
                - Temos que deixar este café, vou encontrar outros na França. – Meu sorriso era amarelo.
                - Não posso atrasar-me, estou em apuros com tantas negociações, perdoe-me em não ter mais tempo.
                - Quando eu assinar a primeira folha do livro para você, nos encontraremos.  Foi ótimo revê-la, Natália. Espero que nos encontremos novamente...
                - Ótimo encontra-lo, esperarei meu exemplar na próxima vez – Tchau, tchau!
      - Tchau, Tchau, Mon ami!

- Marcos Leite


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Caronte



Falta muito tempo para viver
Se pensar que a vida é longa o bastante
E encontrar a amplitude e dimensão
Da agilidade das nuvens e o sopro do vento

Tenha pena de ti,
Pensar que a vida é extensa como um exemplar de bolso
Raro aquele que entende,
Não passamos de folhetins

Um brilhante com rubis
Um gato com olhos azuis
Vaidade.

Retorcidas as muralhas do destino
Traço as rochas o gosto do amor
Perdurando assim,
Os doces desejos de um ébrio mentor.

- Marcos Leite

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Carta a minha querida esposa


Numa tarde de outono, estarei sentado no banco a espera de ver-te, com os raios breves do sol a iluminar o dia, desabotoarei minha bolsa e jogarei migalhas para as aves, permancendo assim no frio e na atmosfera dócil para meu peito e triste para meus olhos.
          Se encontrasse seus passos próximos a mim, trataria de compor uma canção com suas pegadas, retribuindo sua visita com meu generoso carinho. Impondo-me as leis da vida, ou quem diria enganando o tempo.
          Tombo em pensar que meus dedos estão velhos demais para uma serenata, e minha voz não é mais a mesma, apenas elucidarei a melodia, fecharei minhas pálpebras úmidas e pensarei em você.
          Jamais cumpri minha promessa, uma culpa que levarei até o fim, estender minha vida e deixar-te do outro lado da margem, meu veleiro vai mal, estou a ponto de naufragar, ainda sabendo que estou aqui sozinho, mas não pude realizar tudo, você se foi e uma avalanche em mim, iniciou.
          Intimidaria contar-te que hoje em dia não se vendem mais leite em frascos de vidro? Ou que o café e o trigo são vendidos em sacos plásticos? Sorriria ao ver as caixas de leite, são práticas, mas o leite parece não ter o mesmo sabor.
          Está chegando, é, ainda há tempo de pensar no que, mas o que posso comprar? Depois de amanhã, não me esqueci querida, o aniversário de casamento, tratarei de encomendar belo buquê com tulipas azuis, suas prediletas, e também algumas rosas amarelas para enfeitarem.
          Já é hora de me apresentar novamente ao meu local de convívio, com pessoas das quais não conheço, alguns simpáticos, e outros um tanto ranzinzas, mas tenho paciência com eles, sempre em meio de minhas leituras pensei como é triste a perda do intelecto, então não as menosprezarei.
          Estou com o peito cheio de saudade de ti, hoje vejo que o passado é um laço de fita, e o presente é apenas o nó. Mas o futuro é desfazê-lo, e sinto que não perdurarei muito tempo por aqui, não que não goste, mas já estou cansado e velho, mas em meu coração tenho as belas lembranças e a paz divina. E peço que não te estribes de meus pensamentos, pois, se vivi até hoje, foi apenas por pensar em ti.

         - Marcos Leite

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Amigos têm a chave de nosso coração


O que podemos compreender raramente na vida, é que as amizades se vão. Cuidamos sempre para que isso nunca ocorra, e lutamos para que nossa vida seja feita com sólidas amizades, sorrisos e carinho daqueles que temos intimidade e desinibição.
Pudera imaginar uma vida sem amigos? Passando seus dias em casa, ou na companhia sempre de sua família. Dias frios, pode pensar até mesmo que seja uma tolice um pensamento assim, que a família ou um amor não possa suprir a falta de um amigo, e não supri mesmo, há coisas que não consegue falar com seus irmãos, outras com seus pais e algumas outras com sua namorada. Amigos é como uma grande multidão em seu peito, com vozes, passos, buzinas e euforia, nada se compara a felicidade de sorrir entre eles e o melhor quem sabe a quantidade de tempo que despende para apenas estarem juntos.
Podemos conciliar amigos, namoros, trabalho, estudos e família. Algumas vezes não nos damos conta disso, e o trabalho toma o lugar principal na vida de alguém, outros suas convicções religiosas, alguns outros o namoro, ou até mesmo o parceiro que exclui sua agenda de amigos por pura insegurança, porém, tudo é permitido, sim, por você, se propõe a aceitar ou agir dessa forma, se olhares para trás talvez perceba o quanto de tempo vai levar para chegar próximo aos seus amigos novamente, pois tudo é uma questão de tempo e escolhas. Sugiro que pense nos motivos que fez se afastar de alguém e então veja o tempo que alimentou para que isso acontecesse, retroceda a ampulheta e julgue que todo esse tempo deve ser voltado, mas com percentual a mais, já que a intimidade e outros fatores entre quaisquer pessoas, demorem a ser restabelecidas.
Já caminhou alguma vez sobre um meio fio, ou guia da calcada? Se já fez isso, uma hora ou outra já deve ter se apoiado no ombro de alguém. Possivelmente vai se lembrar que atos fizeram que essas pessoas desaparecessem sem aviso prévio, e talvez estejam apoiando outros por serem diferentes.

Se tratares a seus amigos como trata sua família, jamais os terá como amigos, caso prefira com regras de boa conduta e cordialidade exagerada, vai fazê-los de seus colegas, aqueles que sempre você quer ver, pois não te incomodam ou dizem coisas que você não gostaria de ouvir, ou quem sabe escolha tratá-los com indiferença, vai conhecer seus futuros colegas de trabalho, chegará, cumprimentará e praguejará com eles no café sobre a empresa ou a vida de algum ausente na rodinha, todavia sua integridade não permita isso, uma hora ou outra talvez aconteça.
Não se pode mensurar ou limitar o carinho que possam lhe conceber, é um absurdo delimitar o que é importante ou não na vida de alguém, deve-se respeitar as diferenças, situações e escolhas, mas que não se afaste de vez, ainda tratará de pegar o próximo trem, os que são próximos de ti realmente saberão de sua indiferença, e seja honesto com eles e consigo mesmo, não se justifique por ocasiões, os finais de semana ou emails estão o tempo todo disponíveis, que dirá o celular.
Conheceremos muitas pessoas em nossas vidas, algumas que ficaremos furiosos com a vida em trazê-las com tanto atraso e demora, desde a infância a velhice encontraremos amigos novos, paqueras e alguma ou outra chateação, mas que o peso de uma amizade seja maior do que todas as tristezas e as dores provocadas por pessoas que se julgavam companheiras. A vida não minguará apenas por estarmos envelhecendo, continuaremos nossa caminhada e em cada rua ou atalho perguntaremos para aqueles que ali estão, onde foi parar sua felicidade, e eles lhe entregarão um pedaço de barbante, para que jamais se esqueça deles.
A vida é um pouco injusta de tragar o seu melhor amigo para o céu, mas vai lembrar cada momento feliz que esteve próximo dele, e raramente pensará em sua morte. É a generosidade que o amor entre duas pessoas consegue fazer, as memórias ficarão para sempre e o sentimento de carinho e afeto jamais se extinguirá, nem mesmo com o fim.
Há ainda o as escolhas que fazemos em nossas vidas, você morar numa cidade longe não inibe de ter seus amigos próximos de você, usar a tecnologia para aproximar suas amizades é essencial, mas isso tem de fluir de si mesmo, não vai adiantar deixar de continuar sua nova vida e pensar o tempo todo naqueles que estão longe, deve manter o contato, mas dar oportunidades que outros apareçam e façam parte de seu ciclo, e não promulgue cargos para seus caros parceiros, vai elitizar sua própria mente e deixará sua conduta hipócrita. Mas também não se esqueça de ninguém, dá para contar nos dedos de uma mão apenas, e não serás difícil.
Abra seus olhos cada dia e pense no quanto de coisas tem a dizer para seus amigos, não se importe com o que vão achar, se te xingarão ou concordarão, cuide de implicar, sempre cuidando da quantidade, mas reconheça que ao fazer isto, se torna cada vez mais íntimo e engraçado, deixe de lado os rancores, as palavras ríspidas e encha sua mochila de discernimento, centenas de vezes vão te falar coisas desprezíveis, mas com o caminhar de suas pernas vai compreender os motivos. Perdoe, isso evita o câncer e as dores lombares, jamais trate levianamente os sonhos deles, saiba que a indiferença de um amigo é mais pesada do que de uma família toda. E aproveite a vida e o carinho que alguém pode lhe proporcionar, porque da vida, só levaremos as lembranças e a bagagem de amor e carinho que colheu.

- M. Leite


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pegadas foscas


Leria para você toda noite,
Acomodando as estrelas próximas as suas orelhas,
Revelaria a doçura,
Que de mim foste rejeitada.

Que seu perfume,
De minhas ventas jamais fugissem,
Que a aridez de seus lábios,
Se encaixassem aos meus.

Proporia um acordo,
Ainda que o tempo de mim zombasse,
Tornaríamos em um,
Ludibriando o passado.

- M. Leite




quarta-feira, 25 de abril de 2012

Por onde andas?


Preciso de um amor
Para que sonhe mais
De reais sentimentos

Desejo você
Que está longe
Até mesmo escondido em seu próprio esquecimento

Sinto sua falta
Mesmo não importando o curto tempo que foi

Gostaria de lhe oferecer um café,
Para que não esqueças jamais
Do gosto de minhas mãos.

- M. Leite

domingo, 8 de janeiro de 2012

Beleza de se viver


Hoje, após chegar do barbeiro, assentei-me na cadeira de balanço, pus meus óculos de lado e fechei meus olhos para lembrar de minha vida. A espuma por debaixo do revestimento de couro, torneadas de rebites negros, estava gasta, mas minha lombar já estava acostumada com ela assim mesmo. Motivos e lugares que me fizeram sorrir, coisas desde pequeno, me lembro daqueles sapatinhos vermelhos que ganhara quando tirei a 4ª série.
Com meus olhos ainda fechados lembrei-me de quando eu olhava estrelas com Débora, com alguns gravetos e a tocar algumas frutas que não alcançávamos, ás vezes uma fogueira singela para aquecer-nos do frio na serra e também do lodo grosso que tinha nas pedras que passávamos e não nos deixava vacilar. Meu namoro foi magnífico, desde quando a vi, sempre soube que me casaria com ela.              
Que saudade de minha casa, Papai, Mamãe, João, Ruth e eu, acordávamos e dormíamos quase sempre no mesmo horário, adorava as regalias que Ruth me entregava, sinto falta dela, já se foi há algum tempo, nunca poderei esquecer daqueles olhos castanhos claros. Quando tinha rosca pela manhã era uma alegria, saborear algo a mais, era sempre muito bem vindo. Sinto muita falta da singeleza da vida, o dinheiro não me trouxe esse amor que guardo até hoje comigo.
Paciência, palavra forte e leve, para os que a abstém é um peso, porém posso julgá-la nesses anos todos que já vivi como um bálsamo da vida, consegui muitos tesouros com ela. Ah! Uma beleza mesmo! Educar meus filhos, acompanhá-los, ensinar coisas que ninguém os pode ensinar, ganhei meu pão com meu suor do rosto, empreendi, tive uma vida financeira confortável, graças minha perseverança, disciplina e honestidade. Me orgulho disso, de trabalhar retamente e sequer olhar para esquerda nem para direita. Agradeço a Deus.
Formular combates contra meus calos e pedras de meu caminho, jamais fiz isso, deixei que tudo fosse naturalmente correndo, assim como a água da chuva ou uma honorária cachoeira, meu coração hoje está feliz, em lembrar o quanto dediquei amor aos meus irmãos, pais e parentes, não vou esquecer de nada, os descasos, rancores e chateações foram se embora mais rápido que pensei, talvez sequer duraram uma semana, hoje com noventa e quatro anos tenho a plena convicção de que não tive câncer ou outra doença degenerativa porque usei meu coração para compartilhar sentimentos ao invés de estocar.
Meus olhos podem lacrimejar quando me lembro disso, meu caçula formando em medicina, meus filhos constituindo família e criando asas para um vôo sem volta. Imaculado seja o Senhor, que bênçãos tive! Coro de me lembrar quando Leci nasceu, aquela tarde fria e nublada de domingo, era Maio, não tinham pessoas na rua, mas aqueles que me viram se lembram do quanto sorria para o vento.
O peito dói em recordar coisas, minha vida foi muito grande, quando meus pais se foram, amigos, minha querida e amada Débora, alguns cães e também do tempo que perdi trabalhando e poderia estar mais próximo a todos, mas disso não tenho remorso algum, eu fiz o que pude, e sei que em seus corações são gratos por minha consideração. Não vou esquecer os lábios aveludados dela, nem da comida na panela de barro, quando aprendi a dirigir, Papai foi muito útil, tirado todo seu enfezamento, risos!
Vejo algumas folhas nascendo na árvore lá fora e isso me anima, pois sei que a vida nunca míngua, ela cria estações novas e faz você lembrar que vale a pena viver e reviver momentos que estão a sua espreita. Viajar, conhecer lugares, pessoas, sorrir com alguns tombos e entusiasmar-se, seja com uma saída para o parque ou quem sabe Minas Gerais.
A vida é um sopro, e você escolhe e ora para que seja o mais doce, vai decidir se quer baunilha ou anis, está ao seu alcance ser íntegro e cordial com o seu redor. O tempo é um lampejo para odiar e guardar fúria em seu tórax. Isso não vai te adiantar de nada, é como jogar um metal no ar e esperar que ele flutue. Deguste de sua vida enquanto pode, quantos queriam ter a vida que você teve ou mesmo uma dispensa farta?!
Sorria para a vida, sorria para Deus, sorria para você mesmo, ainda hoje pegarei um táxi com amigos e visitaremos a praia, decidi antes de ontem que ainda essa semana quero tomar água de côco e admirar as montanhas e o mar.

- M. Leite

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Rotina




Os olhos semi-cerrados
Bocas abertas como uma elipse
Trejeito desacelerado e preguiçoso.

Os raios brilham pela janela
Obrigações que lhe aguardam
Espelho que zomba, o tempo evapora.

A noite o lar te aconchega,
A cama lhe acaricia
E o beijo de um carinho te alivia.

- M.Leite

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Quanto mais os dias passam

           Quanto mais os dias se passam, mais temos de aprender e descobrir o quanto arbitraria é a vida, cheia de ciladas, frestas e condições. Muitas vezes abrimos mão de certos gostos e coisas em beneficio a outrem, e muitas vezes uma questão de decisão, entre este ou aquele.
Um amor por exemplo, você não pode ter dois maridos ou duas esposas, bem se vive no oriente médio quem sabe, fora essa exceção, você conseguiria mesmo viver feliz em ter de repartir seu amor uma pessoa amada com outra que nem sequer você se assemelha.
Quem sabe dessa vez um picolé? Esta derretendo , o tempo todo, e foi dado para duas pessoas, mas uma tenta ludibriar a outra o segurando, em contra partida a outra tem a maior mordida. Isso já se torna mais fácil pela situação, a não ser que tenha dentes sensíveis, com certeza ficaria em desvantagem.

 Algumas noites em que dormimos tarde, podemos considerá-las como válidas, essas que meditamos, ou nos questionamos qual real motivo as estrelas sorriem para nós sem que peçam nada em troca, algo muito comum entre os humanos, dar para receber, e quando não recebem? Tais noites deveras generosas, pois creio que são espelhos negros dentro de sua mente duvidosa e autoritária, ela apenas doa tempo e silêncio para que você pense.
 Ah! Como vamos pensar que o mundo é malvado se nunca paramos para olharmos as coisas boas dele!?

Um velhinho quase todas as manhãs chega na praça, próximo aquele banco de madeira verde e consigo leva um pequeno saco de papel com um pão velho dentro, passa a manhã quase que toda ali, pois após alimentar as pombinhas, ele lê, algumas vezes sorri e outras matuta. Ele esta aproveitando sua vida, esta lendo. Usando do gozo do intelecto, algo que poucos fazem e muitos na verdade nasceram, cresceram e morreram sem nem mesmo nunca fazer.
Pobres são esses que sequer sabem a diferença de um sorriso e um pedido, o sorriso pode ser um pedido, algo meigo ou profundo, você pode sorrir para muitas coisas, menos de sua própria ignorância.
O tempo vai passar para todos, e cada um vai saber ou não o que fazer ou em que quer encontrar da vida, muitos na verdade nunca sabem, até mesmo os mais intelectuais que aqui habitaram. Pensar é ser feliz, porque quem ama, pensa, e quem sonha, voa.

- M. Leite

sábado, 12 de novembro de 2011

Peças, línguas, julgamentos

A grande dificuldade de escolher entre o artigo A ou O ao iniciar um texto, quem sabe começá-lo com um sujeito, não sei corretamente se isso importa algo ou faz parte de um gosto comum de iniciar uma narrativa simétrica ou moldada.
O tempo para todos é igual, cada qual ambienta ou define como deve ser, se tiver escolha. Apesar de que na maioria das vezes o que conta são as circunstâncias ou a pressa de se fazer algo. Bem, quando se trabalha sim, mas para um blefe ou um assassínio pode ser que os milésimos sejam a equação exata para o acaso.
Pegadas no chão, quantas temos todos os dias, e elas não mostram destoadas o que realmente vale, parece um tanto complexo com essa malha de questionamentos, mas o que pode perceber é que alguns usam o seu tempo para exibir a beleza que em muitas vezes não têm, e em outras possibilidades ter perseverança no trabalho.
O tempo é um senhor, um grande e sátiro deles, usa de peripécias singulares e imprudentes para provar o quanto as pessoas são superficiais e outras densas. Enxergará muitos que não passam de apenas indivíduos comuns, com atos comuns e pensamentos comuns, digamos medíocres, que delimitam suas vidas apenas a exibir seu corpo rubenesco e em muitas vezes não sabe a diferença nem mesmo da qualidade e quantidade.
Também mostra mudanças, uma pessoa por exemplo que era revoltada, com brigas e algazarra pelas ruas, deixa ter esse comportamento, apenas por encontrar um parceiro e quem sabe desfrutar do amor. Ele também mostra muitas coisas, aqueles que foram julgados a vida toda por um delito não cometido e após anos o caráter mostrou o quanto integro é. Ou nos apresenta algo inusitado, o bonzinho de sempre que no fim foi desmascarado o tanto imoral e inútil foi a vida toda.
Me prega peças também, esfregando na face questionável, o quanto de trabalho e dedicação pais, irmãos, amigos, conhecidos e inimigos se dispuseram a suportar para apenas mostrar o quanto estamos errados de nossas convicções intelectuais.
Velhos mortos por malucos, crianças afetadas por atitudes impensadas de adultos e jovens, amores que poderiam dar certo. Que grande quebra cabeça de cores semelhantes e confusas somos forcados a montar.
A esquizofrenia de certos humanos simplesmente não passa de uma preocupação com outrem, usam de tudo para que o jogo não desande ou que seja menos dolorido, mas interpretados como doidos ou individualistas. Não entendem o quanto são e foram generosos.
O que pensar de algo tão volúvel como as horas, elas dissipam coisas e também aglutinam coisas. Cada coração é arbitrário o bastante ate mesmo para o detetive mais experiente. Se pudessem descobrir o futuro mesmo com uma hora de antecedência, talvez seriam espertalhões bobos por apenas lhe contarem coisas que podem ser mudadas para pior.
A indulgência é uma virtude se olharmos pela fresta do problema, o entendimento vago que temos de um caso que não participamos, pouco sabemos o tanto quanto é dolorido essa atitude. Mas é visível que na maioria deles o quanto nobre é.
Caminhar pelos dias e pelo além, tragar as experiências e debilidade alheias, se parece mais com um jogo de azar para quem usa dessa conduta, ser analítico é ótimo para profissões de extrema atenção, porém péssimo se tentar amar alguém que não se importe com cenários parecidos e similares afinidades.
Crer e confiar no que é dito não é seguro, uma atmosfera inconsistente alimentada por algo tão inconstante como o tempo, creio que se tivesse ficado com pensamentos iguais do restante dos bilhões que habitam na terra, sua cabeça talvez não fervilhasse tanto.
- M.Leite

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Flor sistêmica


  Algumas vezes nos questionamos os motivos de revolta da população e de algumas personalidades. Aprendemos que elas também têm opiniões e são seguras de sua ideologia. Algumas delas não falam ou expõem o que realmente gostariam de falar, pois podem sujar sua carreira ou imagem no entretenimento. Mas... Há pessoas comuns, quem sabe saia na parte das vozes roucas dos jornais, onde opinam e dissertam, muitas das vezes criticam frivolamente, em contra partida alguns com maestria.
                O tempo comanda todo esse sistema de pessoas, tributos, pagamentos e exploração dos bens alheios. O fato de pagar não é o pior, o receber sim, pois ficamos na espera e no aguardo sempre, ás vezes cansamos, melhor comprarmos um estofado confortável a recebermos um bom e esguio assento na sua calçada para passar a tarde e ver o movimento.
                O comparo como uma bela flor plana, que em seu núcleo há uma região amarelada e muito vibrante, nos lembra riqueza, tesouro e bonança, muito bela e ela retém todo o fluxo de vida, bem isso acontece na planta, porém no sistema ela suga todo o fluxo de dinheiro, com impostos, tributos, taxas etc., como se uma grande e robusta gigante gorda faminta por dinheiro, assombrando e sentada no chão, suja e com um vestido maltrapido.  As pétalas coloradas, exalam a beleza, o charme da juventude e o brilho da primavera. Ah! Como seria feio o mundo sem elas! E elas como se adéquam ao sistema? Da extremidade ao núcleo há uma grande diversidade, as próximas ao tesouro dourado, são os de bens, bairros desenvolvidos e carros garbosos, já os da extremidade são singelos, pois até mesmo nas flores suas extremidades são esfarrapadas pelo tempo e o vento, as tornam menos belas do que seu meio.

                De flores e pessoas não podemos surtar de maneira alguma, pois elas adocicam os corações e os lares, os jardins de nada seriam sem elas, já o sistema somos obrigados a participar dele, não há como sair, é um preço pago para sobrevivermos aqui, mas ainda bem que o sol brilha constantemente e não é indiferente para ambos os lados, ao menos ele é generoso.
- M. Leite


sábado, 13 de agosto de 2011

Certas coisas...


Algumas vezes penso, qual o motivo ruim de se envelhecer?
As pessoas fogem ou mesmo se escondem atrás de uma peneira, só se esquecem que o sol a transpassa, assim como os anos e a idade corrói o sujeito que se escondeu. A vida é boa, grande, pode-se pensar na imensidão do céu e da abundância das águas que Deus lhe deu?
Algumas vezes já vi que envelhecer é ruim, você não ganha mais doces como antes, nem é amparado quando faz algo de errado, geralmente te cobram ou culpam, será mesmo?
Vamos dizer e combinar uma coisinha?! Não pode se lamentar mais quando os anos vierem, em troca eu lhe dou experiência. Bem me chamo tempo e fui criado para ajudá-lo a passar sua vida bem e lhe mostrar quantas coisas existem na terra, mar, céu e além de tudo isso. Basta você aceitar, mas isso depende de ti, ok?
No entanto mesmo que o narrador seja o tempo e ele traga algum recado para nós, nunca vamos saber entender corretamente o real sentido, pois batemos a cabeça sempre de pensarmos de forma racional que ele só vai te levar para cova.
Supondo que a cova seja o caminho do sucesso, gostaria que ela tivesse próxima, bem de mim não sei, mas a cova é o fim, e isso tá longe, assim espero!? As texturas e aromas que ainda não senti, estão a minha espera, e se tiver que trilhar todo esse caminho de sucesso, quero que seja assim, pois o fim de todos é o mesmo, mas o sentimento e as escolhas de cada um são arbitrárias, pense sempre de forma positiva, você se irritar ou entristecer com o tempo e o seu arredor, não vai lhe trazer nada, além de uma chata enxaqueca ou alguma dor lombar.
Sonhar com a vida é necessário, é bom olhar para as nuvens e imaginar um grande e longo sofá! Também é muito prazeroso estar na praia, fitar seus olhos no mar e imaginar o infinito. Certas coisas ninguém pode nos contar, certas coisas ninguém pode nos mostrar, pois o que nos é reservado, é bênção, do mais é o vento apenas que assopra.

- M. Leite

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Assuntos inacabados




      Os pensamentos que atormentam coisas do passado, ficam dentro de uma concha, a qual está em sua mente, ela não tem uma salinha de espera, mas poderia ter, eles lhe atormentam pois são inacabados, assuntos inacabados. As lembranças de cada um podem ser parecidas, mas cada um é réu confesso do sentir íntimo e restrito.
Dizem por aí que vivemos em nossas mentes, a vida não se resume a nada se não tivermos lembranças e fé, os passos dados são escolhas confusas, até mesmo para se comprar pão ou pagar uma conta. Dele nada é cobrado, mas o vento que bate em seu rosto, e os flertes que recebe nesse intervalo são conseqüência de sua escolha.
Algo pude pensar em todo tempo, esses dias sozinhos e vagos, lembranças de pessoas que desapareceram sem motivo. Compreender esses sentimentos é como sentar-se no sofá da mente e aguardar a ser chamado para entrar na sala de espera de assuntos inacabados. 
Esses assuntos que não foram terminados são um fardo que cada um carrega, seja pela consciência, coração ou culpa. Os quais não são bem vistos, pois mexem em coisas já esquecidas e complicadas. Para outros são necessários, a vida de alguns caminha assim, e para eles não faz a menor diferença.
Consideração, uma palavra que é a chave de todas essas pendências, ela alerta e alivia, se ela intermediar entre o tempo e os atos, todos esses pacientes evitariam ficar na sala de espera. Ela foi morta por muitos, alguns nem se deram conta de que ela existiu alguma vez, outros a mantêm como a chama de uma lampião, humilde e protegida por uma redoma de vidro, para que não se acabe, caso apague, não se esquente, ela é uma pequena chama.
Vidas e acasos perdidos no mar de questionamentos, as possibilidades e oportunidades ganhas e perdidas são incontáveis, só que quem mata a consideração também mata o amor, o preço a ser pago pela homicídio é a dor.
O que lhe resta, nada mais é, dúvida e aflição!

- M.Leite

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O tempo passa



O tempo sempre passa, e sempre passará
Quem correu falou, quem parou calou.
Tudo passa por maior que seja,
Ele não espera nem te pega.

Um gato...
Uma vaca...
Uma cadela...
Todos morrem, pois o tempo passa.

E o tempo, é marcado?
O relógio é um auxiliar
Mas ele,
Ah! Não pode contar,
Ele conta, mas não conta as lembranças.

O tempo passa e essas tolas palavras acabaram
Pois,
O tempo passa,

- M.Leite  (05/10/2006)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Tempo e o Amor

           O tempo está próximo, do lado, seguindo, amando o amor, ele é seu companheiro mais fiel, estão juntos, a fio, dia após dia.
           O amor é pleno, intenso e grandioso, pode-se pensar que nada existe sem ele, a generosidade do amor não pode ser mensurada, compartilhar de amor é vital, tudo aflora com ele, seja ele, mais intenso quando nos é tomado de assalto e encantados pelo sopro aveludado do sentimento, o mais belo, o amor.
           O tempo é misterioso, criado para nos tornar lúcidos, o tempo envolve lógica, fases, sabores, cores, texturas e todos os demais fragmentos que nele percorrem ou se acabam, o tempo é traiçoeiro, belo e envolvente, ele nos apascenta, intriga, alegra. Saber mais do tempo? Nem mesmo sei que haverá, ele é comandado por Deus, e sou testemunha de tal imponente obra.
           O tempo e o amor, o casal belo e apaixonado, de toda imensidão, o grande jardim do amor, é leal, o tempo não, ele passa e arrasta tudo que está com ele, o tempo é o coadjuvante de uma trama, e o mocinho do romance, embora o amor dome todos, o assassino dele é o tempo. E sabe que paga o preço da morte para estarem juntos, e Deus é testemunha de que o tempo nada seria sem o amor, e a beleza do amor jamais exalaria seu calor sem o tempo.
           - M. Leite


terça-feira, 22 de março de 2011

Sapiência

O que esperar da vida?
Sabendo que ela já foi criada para você
O que importa o universo?
Se ele só foi mais uma parte de toda a criação.

Os dias não são iguais,
O passos jamais serão repetidos,
O tempo
A graça
Não param!

Coração está feliz
Não quando se tem o material
O engrandecimento sim!

Nada pode mudar
Nada que tentem
Nada que seja planejado

A vontade de Deus que conta.

- M. Leite 11/12/10

sábado, 19 de março de 2011

Os olhos do tempo



O tempo caminha
Ele nunca espera, ele passa e se acaba.
Se acaba, porém para alguns.
O tempo nunca morre.

Os seres que deixam de existir,
E suas memórias, extraordinárias ou não,
Vão para onde?!

Seus olhos que não envelhecem
Em relação ao resto 

Esses olhos que viram tudo
Enquanto ele existiu e até mesmo quando deixou.

E porque não deixar de existir
Quando sonhamos com um lugar
Melhor, e que todos estarão lá.

Ou mesmo para que outros
Existam em nosso lugar
E façam a diferença para outros
Que nós não fizemos, por não os termos conhecido.

Envelheceremos um dia e nada poderá ser feito
Mesmo que fórmulas e técnicas
Sejam desenvolvidas e criadas
Um dia envelheceremos e morreremos.

- M. Leite (25/01/2007)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A amizade



A amizade...
A amizade é um presente que ganhamos de outra pessoa.
E em mais ou menos tempo,
Você conhece alguém que a pouco não se passava apenas de um estranho.
E mesmo que haja tempo e a distância
Nada pode abalar uma relação que floresceu de muitos anos ou mesmo não,
O tempo que nos envolve até que deixemos de brilhar
Contém tudo de bom,
Nesse tempo que se passou
Não foi apenas dias brancos e sem vida
Foram sorrisos, ataques, lágrimas...foi viver.
A afinidade é uma palavra que engloba
Sentimentos e visões semelhantes.
E que varia de coração a coração...
Mesmo que haja milhões de pessoas juntas,
Ninguém será melhor do que a pessoa que você escolheu, e para ela o mesmo.
A velhice chegará, mesmo que tarde.
Mas ela não é sinônimo de dor, sofrimento e cansaço,
Ela é só mais uma fase de nossas vidas e como todas outras fases devemos aproveitá-la.
Conheceremos pessoas lá também,
E pessoas que arrependeremos de não ter as conhecido antes.
Tudo na vida é válido, até os erros.
A saudade...
Não é uma questão de tristeza.
E sim de alegria, pois quando ficamos longe o coração se expande de alegria quando pensamos que há pessoas ligadas a nós mesmo que longe, e elas oram e desejam êxito em nossos dias.
E somente lamentam não poder estar juntos a nós.
E quando reencontramos mesmo que não seja explicitamente demonstrado quanto sentimos por eles, em pequenos gestos eles percebem.
E também se pudéssemos mostrar quanto gostamos morreríamos porque os sentimentos são tão grandes
Que não conseguimos expressá-los.
Mas fé anda e a confiança sempre andará em nosso ser
Mesmo que caminhemos por lugares tortuosos e distantes, as amizades não se apagam.

- M. Leite
 
 
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