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quarta-feira, 13 de março de 2013

Caminhe devagar


Atravessamos um era inóspita de sentimentos verdadeiros, partilhamos de sorrisos e alguns reflexos do prazer, tocamos a vida mais depressa, esquecemo-nos de beber água, e corremos para que nada saia do lugar, estamos num caos moderno, onde as pálpebras tendem a fechar e os ossos estão machucados das pancadas cotidianas.
Os dias correm com galeio, como um vai e volta de um balanço num singelo parquinho, se avistares crianças ali, és um sujeito de sorte, estamos restritos a emoldurarmos em nossas cadeiras, ligarmos os computadores e apreciar a diversidade de coisas e alternativas que a rede nos proporciona, nos distanciando de nossa vida em momentos, ao olharmos de soslaio, pode ser que veja uma porta, ou duas, de um guarda roupas velho com livros e discos, e estão empoeirando a cada dia mais, sem que você perceba o quanto de vida tens esnobado ali.
Há uma fabulosa sincronia de pensamentos, poderíamos tratar isso como um jogo, um banco imobiliário, ou quiçá, uma disputa de dardos, perscrutando nossos intelectos de um pouco mais de genialidade, hostilizando o seu presente comum, o que vês todos os dias no mesmo local, e lhe preenchendo de um sentimento incomum de êxtase, encontrar conceitos e teorias, nos trás um sutil sentimento de satisfação.
Ter vontades de mudar o mundo e o rumo das coisas, das pessoas e do seu próprio destino, há muitos que conheço que estão a espera deste mesmo bote salva-vidas, mas não vieram com o colete salva vidas, além do mais, as ruínas das terra não foram deixadas por homens que estavam dispostos apenas a fazer algo melhor em conjunto, observo que estavam a próprio punho de tuas perspectivas, e zombo que de alguns foram vulgarmente mal sucedidas.
A vida segue como um ribeirão, deságua num córrego, beija o rio e dobra-se no oceano, e quando seus pés estiverem cortados, teus olhos vencidos, e teus lábios sedentos, adentre à formosura das águas  esquecendo teus diagramas e planos, saboreando um grande gole de tua existência, e talvez perceba que a pressa e o dinheiro só vão lhe fazer ter menos tempo por aqui.

- Marcos Leite


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Dias ocos na internet


Dias ocos é o que suponho de alguns que já me percorreram entre os vãos dos dedos, horas e minutos gastos com nada, infurnados na tolice ou mesmo em um dos sete pecados capitais. Tentamos nos justificar na maioria das vezes com motivos embasados, álibis favoraveis e algumas vezes mentiras descaradas.
Ludribriamos a nós mesmos quando eloquentemente suplicamos pelos descansos semanais e deles não fazemos nada, nem sequer aproveitamos os raios do sol e a condição de estar entre os amigos e a natureza. Prostrados em frente ao computador na maior quantidade possível de horas, até que volte sua rotina comum na segunda-feira.
Pegue um giz, pode ser um verde ou rosa, e risque numa lousa uma linha reta, mas tolere as ondulações e a falta de simetria natural de sua mente, imagine a sua história de vida e vai perceber que nos melhores anos de sua vida, apenas disperdiçou o tempo com coisas que jamais trarão algum beneficio e pelo que não pareça, tratará de minguar sua visão e seus pensamentos.
Rogo para que deixe de se acomodar tanto nas horas vagas, ainda que o cansaço lhe encontre, a noite é de uma imensidão de segundos de sono e descanso. Encontrar em seus próprios sonhos a qualidade de vida que quer, é como um sopro de sorte da vida, jogo minha última moeda na fonte e desejo que tenha mais dias felizes.
A população nunca esteve tão irada e estressada com tudo e todos, um pássaro que canta, ou um carro com volocidade brevemente reduzida do seu, quem sabe um minuto a mais de espera num caixa eletrônico, e a espera de um banco?!
A vida é um presente, que assim como a maior parte dos presentes, nunca estamos conformados ou satisfeitos, a boca pragueja o que o coração desdém. Assim que o agoureiro uivo da morte lhe encontrar, pode-ser que arrependa-se de sua constante preguiça e comodismo. Talvez urre de ódio ou mesmo de com os ombros para tudo isso.
 O prazer de sentir o ar novo da manha, andar de bicleta, correr e se exercitar nos dias de hoje é visto como atividades cult, para homens e mulheres cultos, que se preocupam com o corpo e a saúde, deveras criticado por ter soberba ou vaidade. Uma linha sinuosa de inveja quem sabe, partindo do egoísmo das pessoas e quem sabe da falta de cordialidade em que vemos cada vez mais nas ruas e lugares.
Não corrompo as letras para que suguem toda sua afinidade com a rede, e jamais julgo ou crio apologias contra o dócil ato de navegar. Apenas dissemino a consciência da ociosidade, sedentarismo e a chaga incurável da preguiça, talvez o que mais vemos por aí.
Seja feliz com sua vida, para que não te arrependas dos dias ocos na internet, aqueles que despendeu tanto de suas horas a troco de breves sorrisos inicialmente, seguidos da irritação de seus olhos e seu senso comum de humor e integridade.
Mire as estrelas e conte ao menos algumas durante a noite, quanto ao dia, se ainda não conheces o aroma da alvorada fresca entre as árvores, está certamente esvaecendo sua canção entre as nuvens opressoras, as feias e sem cor, apenas claras e mornas, assim como você.

- Marcos Leite 

 
 
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