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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Lampejos viventes


Perpetuamos os sentimentos em nossa existência, de memórias e gostos, velejamos a rumo da incerteza que a morte prenuncia, interiorizando a cada um a dúvida entre o esplendor, o fim ou o sofrimento. Um prelúdio divino a suntuosidade primaveril da vida, e a agilidade com que ela cavalga.
Somamos ao mundo como uma gota pequena que é condensada do mar dentre outras incontáveis, deliberamos nosso viver entre as conformidades comerciais e políticas, fazemos parte de um sistema, e o contornamos as vezes, com idéias brilhantes, a cegueira é o vírus que afeta grande maioria, mas identificar o merecimento de existir entre os acessos de repreensão e normas, nos expõe aos melhores arrebóis.
As texturas e cores denunciam as mediocridades discutíveis que asseguram a ignorância magna a aqueles que se propõe a manter em discurso, as improbidades sociais exultam o esfacelamento cordial da convivência, emitindo as pessoas a recusa, e a imposição do preconceito.  Caminhamos a séculos em busca da fórmula concreta da vida perfeita, e esquecemos de deixar para trás as reminiscências sóbrias.
Um combate de palavras, os argumentos esvoaçam desde o princípio da humanidade, e só são aceitos e tomados em proporções gigantescas da premissa ao poder, o tempo objetiva ainda princípios a serem seguidos, somados anos e grupos de homens, acometendo as tradições e a cultura, que fazem parte como o molho entre estrutura mais concisa das leis propostas a todos. Circulamos ainda entre as diferenças, de maneira igualitária a respeito de imposições. Traçados a caminharmos entre a bifurcação dos deveres e dos poucos direitos.
Como lampejos viventes atribuímos a vida em meros anos, trancafiar os sentimentos e desejos expõe a escuridão da infelicidade, destinar-se a desprezar as diferenças humanas em um ato vão ao combate, elucida a paz entre todo o caos que a grande loucura terrestre fomenta.

- Marcos Leite



sábado, 21 de dezembro de 2013

Memórias de Nina - Existência


Parte 2

Me aventurei em minhas possibilidades cruas, pálidas e insossas, o que eu poderia ser além de mim mesma? Penso as vezes que as qualidades dos demais sempre vão superar meu entendimento, de uma jovem em constante mudança, e a velhice se aproxima como uma grande carruagem espartana. Acho mesmo que estou sozinha aqui. O mundo é recheado de pessoas e animais, casas, dinheiro e árvores. Em apenas um segundo o planeta inteiro sofre mudanças enormes, e eu mesma posso sentir apenas o leve toque de uma calmaria.
       Se há milhares de moças como eu, porque ainda não encontrei alguma que fosse, poderíamos fazer uma tatuagem parecida, criar um selo de irmandade, e em um dia quem sabe ao longe quando os rapazes nos avistassem, poderiam pensar que somos irmãs.
         Há tanto o que pensar sobre as ofensas cotidianas, embora os dias sejam lentos e os anos absurdamente apressados, me sinto como se estivesse liquidando todos os pensamentos vis, o perdão e o desapego fazem parte da vida adulta e estou saboreando de forma tao saudável que ainda posso crer que talvez eu não seja tão exclusiva assim. Mas parece que as vezes estamos entre uma bifurcação entre o bem e o mal, pensamos em grande parte das vezes que se todos estivessem bem o planeta seria alvo e sorridente, e o que deixamos de alcançar o torna sujo, a frustração. Gostaria que não me cobrassem tanto sobre as escolhas. Mas eu Nina, porque ainda tenho de me apropriar de tais respostas se sou a proprietária de minha existência?
          Em um passo apenas consigo corrigir o desvio e um pedaço de papel que se dobrou, os meninos em cima da arvore não param de gritar, acho que estão eufóricos com a presença de um tucano na arvore vizinha. Caso eu tenha me permitido a olhar para eles, estou um pouco feliz pelos meus lábios também se contorcerem de forma sutil e alegre. O que se leva de todas as incongruências encontradas ate agora? Um pouco mais aqui me dedicando a meus botões e a salada de cenoura será abortada para um omelete engordurado e calórico. Mas se não há problemas qual a graça de se viver? Ainda não estou no céu.
          A morte é o frenesi evitado por todos. Onde as células deixam de reproduzir, e as estrelas anseiam por seu brilho, tornar-me-ei uma. Enquanto isso, penso que isso é triste, alguns se vão e os caminhos entortam, a saudade talvez perpetue até mesmo sobre as estrelas brilhantes, sendo assim o pó do passado me fisga de imediato ou recorrerei ao juiz do tempo?

- Marcos Leite


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Fé, Faith, Foi, Fides, Fede

           Ontem me questionaram o fato da água ser inodora, acrescentei também o fato de ser incolor, e exclamamos juntamente que o adjetivo insípido fazia parte de teu escopo de qualidades invisíveis. Um fator nulo, oco, vital e metafórico. Se não há nada que se assemelhe, o quão fantasioso podemos considera-la?! Acontece que a física a classifica com massa e densidade, a química estuda sua composição, são todas partes de teorias aleatórias e superficiais, assim como um ovo e sua formação, me admira o fato dele ser concebido por uma ave e ainda ser mole ao ser botado. Teorias superficiais, ainda não obtiveram êxito na criação de uma galinha mecânica, quem sabe, um aparelho que produza água mineral.
           Há ironias na terra que são aceitáveis, como a exploração de minérios, poluição, fome e as guerras, existe alguém ainda que julga ser culpa de Deus todos os resultados da tirania dos homens? Certamente estive enclausurado de anedotas fúteis sobre o tema, quais não tive a euforia costumeira de um circo, inclusive não me fizeram gargalhar ao ponto de segurar meu peito acerca que parasse com tal escárnio. 
           Os fatores transparentes movem multidões e povos, seguramente dentro de teus princípios territoriais e culturais, a menção da história, o costume e as manifestações tornaram-se comumente um simples conceito, o cultural. Mesmo que a sisudez de um homem ou mulher corrompa seu povo, os fatos constatados e o dimensionamento do passado, podem tornar que tais atitudes sejam aceitas, o tempo em longa escala inibe admoestações, o círculo de fatores imundos e certos fazem parte do mesmo conceito.
           A fé é um fator fantasioso, real, místico, glorioso, irrelevante, os pensamentos referentes a crença nos levam a administrar opiniões diversas, dentre grupos, legiões e países, e tais produzem reações distintas, algumas como hecatombes, reabilitações de viciados, assassínios e absolvições. O exército A pleiteia a censura do exército B, por hora, o B acusa o A, e assim começam aparecer os exércitos C, D, E, F e tantos outros que começam a serem enumerados. Qual o fato da fé ser pauta de tantas discussões no cotidiano?
           Assim como o Senhor, a água é transparente, daí a pouco, vão me provar que a água está visível. Que inusitado! Se não o fosse, o mar seria um enorme buraco com animais nadando e ou flutuando sobre um ar com massa física e de propriedades químicas. O ar, ele também é questionado, se não existe, não haveria hipótese de existirmos, não possui cor, é invisível, mas quem disse que o mundo crê em coisas invisíveis?
           Assim como os elementos básicos da terra, há uma certa dúvida particular, acho que talvez seja uma infâmia compartilhar em um universo tão extenso e de inúmeras mentes pensantes e soberbas. Uma criança que conheci no Brasil, de apenas sete anos, dizia coisas estranhas, o idioma não sei ao certo, e geralmente acontecia em cultos de adoração a Deus, e ainda não obtive resposta de tal ato presenciado. Segundo as leis federativas, o aramaico, talvez a língua mais próxima da que ouvi , não foi incluída esse ano a grade curricular da primeira série do ensino básico.
           As características mais vulneráveis do homem estão propostas durante ou após o fracasso, acerca de que tenham a piedade ou indulgência de outros homens, garante alguns por menores de culpa ou a absolvição da causa. Acredita-se que nem sempre o que está caído busca além de teu círculo de conhecidos a ajuda, talvez apenas em teu leito de morte, embora isso talvez não esteja num panorama mundial, os costumes nem sempre adquirem a conduta de martirizar a sombra da morte. 
           A utilização da lógica para fatores tangíveis e intangíveis, sólidos e transparentes perscrutam as civilizações desde a famosa explosão, da qual se fez tudo, inclusive o ar invisível e a água transparente, criou uma bolha perfeita neste enorme universo infinito e ignorou a presença de um criador, alinhando perfeitamente a terra a luz do sol e abençoando com um satélite natural, trouxe povos, dinossauros e a flora, iniciou a vida e dela a invisibilidade e a transparência, desde sempre questionadas.

- Marcos Leite



 
 
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