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sábado, 6 de outubro de 2012

Você me perdeu



                Ligaria os fios, ao reconhecer o êxtase da plenitude, se tais delicados e graciosos fios dançassem no ritmo do amor, flutuando e estendendo até a luz engrandecedora do astro solar. Apetece-me, o semblante dócil, os olhos cativos e os lábios trêmulos.
                O condensado ar exalado de seus saudáveis pulmões germinam o pleno carinho em meu peito, traçando a inexatidão abstrata do sentimento mestre da existência, obrigando me a embriagar e reconhecer o mais sublime frescor do amor.
                Concederias uma dança? Os olhares ternos se emoldurando ao engrandecedor rastro da beleza, a qual nossa aura esfuzia e torna o tempo mais vagaroso. Se pudesse, estaria pela eternidade bailando contigo, garantindo a nós o intento da paz.
                Martirizando minha estrada desconexa entre a razão e o lirismo, mas ai de mim, preferível um jogo retórico, contornando então a montanha, e assegurando as malevolentes intenções. Agirias até consigo mesmo?
                Um trato em meu paletó, a cabeça erguida, os breves cachos engomados, aspirarei o futuro acolhedor, e repararei as parcelas e quadros de tempo a serem provados. Ai de mim, se estivesse próximo ao olhar esmorecido aliciando minha íris, de não sondar os campos vistosos do alvorecer.
                Um arlequim sagaz, politicamente longe de ser um deles, embora o coração esteja partido, não me contentaria de entristecer-me mais por ti, um alegre sopro de justiça paira aos meus ouvidos e intercede para que tal atitude seja garantida para a sucessão de meus dias felizes.
                Levo-te ao exemplo da humildade, fomentando a cordialidade ao teus passos, consolido ainda, uma grande gota de arrependimento para teu eu, saboreando com asco a perda do sentir, íntegro e bondoso.
                Besunto as estrelas com mel, impondo as claras em neve, e ofereço-lhe uma fatia, a qual o segredo, contarias ao honesto valor.
         
            - Marcos Leite

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Visita ao inferno

Entre os imundos percursos para a chegada dos umbrais do sofrimento, parti de minhas transgressões e atingi o ápice de minha consciência, o remorso desfigurado no horizonte, trato que é a mais comum visão do que poderia ver ali. Rapidamente tenho plena convicção que perecerei entre os charcos de horror, gritos estridentes e gemidos a inundarem meus ouvidos.
            Se ultrapassasse apenas um fio de luz por estas redondezas, conheceria o grande garbo da paz, deliberando um traço de justica para aqueles que se culpam por todas as tolices e estapafúrdias dos atos em vida. Acompanho cada momento, e estou a ponto de desabar em sofreguidão, permaneço na loucura de meus pensamentos, mensurando para que não tombem meu corpo aos dos prostrados.
            Estimo que nada seja claro, mas que todas as impressões que a tristeza de minha íris exala, cumpre difinitivamente uma pena adquirida. Rogo para que as nuvens estejam próximas e que ao menos delas cinjam meu horror com seus traços, a mim ainda que uma visita nesse periodo prematuro, não saberia se dela jorraria enxofre ou gafanhotos.
            Relutaria, caminhar entre os vales, já que representam uma tragédia, nunca vista por todos os viventes da terra, milhares de cabeças e árvores tortas, limitadas apenas ao calor e a escuridão, jamais atrelaria um nome a esse episódio macabro, mas permitiria uma conduta melhor a meu coração, caso fosse possível em estância.
            Haveria pedidos infindos de chances, caso pudessem escrever ou falar, de que o ranger dos dentes e a cólera permitissem proferir alguma palavra sequer, infurnados em seus próprios sentimentos, corrompidos pela ira, permanecerão para sempre nesse maritirio sem fim, até que o pavor trate de consumi-los para a eternidade.
            Gasto meus passos nesse plano onírico medonho, ai de mim se estivesse nele, minhas lágrimas secariam junto aos dos atormentados e trataria apenas de contar os segundos para que a maldade sobre mim cessasse. Mas encarrego de abrir meus ouvidos para o amor, e que dela dissipe todo esse maculado destino.
            Toco mais uma vez os cavalos da carruagem extirpando meu temor desse arbitrário lugar, deixando apenas em meu peito o sentimento de razão, medo e humildade, ainda que lúgubres pensamentos tornem a me encontrar, saberei então como fugir e avisar aos outros. Certamente tratarei de apoiar meus joelhos e cotovelos com maior frequência, a fim de ter maior comunhão.

- Marcos Leite

 
 
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