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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Memórias de Nina - Hedonismo


Ode ao hedonismo

                As estratagemas diferem-se pelos significados similares aos adversários, as guerras não se comportam desta maneira, a indução do poder ocorre como uma chama ardente aos privilegiados,  as diferentes maneiras de um agregado se esquivar é o desaparecimento, embora, as circunstâncias improváveis para que tal feito tenha êxito, são agravantes, o espaço físico e a pátria. As estratégias são formuladas acerca de enxergar os inimigos sucumbirem, e não poupam méritos aos combates. O que percorre o início dela não é somente as falanges inteligentes para o simples ataque, mas o orgulho, e embora no passado nada estivesse como hoje esta, os interesses são as marcas que determinam tal catástrofe humana.
                O passado remete a algumas de minhas pegadas, se assim for, seria considerada uma herege, hedonista, amar o prazer acima dos outros desejos, o bem estar e a tranquilidade que me remete a pensar no quanto tal palavra é divida em interesses, se em uma batalha as forças lutam entre si, o pensamento compartilha opiniões realmente inaceitáveis e apropriadas.
                O tema de todos os capítulos a seguir não passam apenas de intenções, pudor ou afetação. Discutiram sobre a perfeição do prazer, a felicidade e o convívio pleno, ainda que difuso, o egoísmo vil, a soberba e a excentricidade caracterizam a mesma vertente. O hedonismo em cruas partes, de pessoas opostas, pensantes, eruditos e imbecis. A inutilidade do pensar talvez enruga as ideias, vertem os desejos e escurecem os sonhos. O questionamento de interesses ao prazer permanece vil se tornarmos o sexo e a luxúria como um ponto maior a ser enxergado. Se as improbidades especuladas pelos hereges em terra são determinantes a tua afeição ao mundo, estariam de um lado da batalha, inclusive entre o clima austero e desprezível de teu próprio grupo de pessoas.
            A beleza da felicidade costuma inibir os prazeres carnais, orgulhosos e pestilentos, assegurando outra parte de um batalhão, a genialidade de frisar a beleza e o conforto para o corpo e a mente, exatamente ser egoísta de fato, ao preocupar-se consigo ao invés dos arredores, desprezando os demais e as interpelações, reconhecendo que quase toda a terra contribui para teu próprio egoísmo, todavia, o consentimento seja como um blefe.
                Um sentimento misto de ira e probidade, os relatos religiosos, a bondade e o azedume. A luz acorda algumas de nossas vontades, e a escuridão as esfriam, e o mesmo ocorre no inverso, a sinceridade de teu eu está mais aflorada quando és honesto.  Conjeturar e atuar em ocasiões, não lhe faz nada além de mostrar ao espelho um fraco. A tranquilidade de dentro nos injetam a lógica e a comunhão da existência conveniente, isso é o que em nosso interior é deduzido, mas não há tema ou discussão que a resposta seja única, até para você mesmo.
                Como na guerra, as mentes que usufruem de teu próprio bem são lançadas contra as opostas, os insultos, escárnios e elogios irônicos, há a sonoridade inconsistente as outras, e do outro lado dos sacos de areia nos enxergam como errados e anômalos. A humanidade teria paz e ternura se fossemos como formigas, a aceitação de uma organização de pessoas similares a ti, com deveres e prazeres, uma sociedade hedonista, amar a si mesmo, procurar teu prazer e busca-lo. E o poder? Talvez o inspirado se desse conta que sua atividade na mais alta cadeira é de fazer o bem a si próprio, assemelhando aos demais, o dinheiro e a autoridade torna os seres menos favoráveis a busca de sua tranquilidade. Assunto que são respondidos pela ganância e o tormento, dissertados por sua própria junção morfológica, as palavras os respondem.

- Marcos Leite



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Memórias de Nina - Terrestre


Parte ínfima
             Se os raios foscos que emanam de um abajur de lâmpada vermelha desse tamanha dimensão ao dia em possibilidades de nos tornarmos cegos e promíscuos ultrapassariam as barreiras da arte, porque a luz vermelha nos indicam coisas pecaminosas e com trevas entre os traços avermelhados da mobília? O verde propõe outra situação, e o azul a palidez belíssima dos céus. Asseguraria a mim mesma uma noite com todas as luzes, uma caixa estilizada pela técnica decoupage, com pequenas dobradiças em prata, um puxador vítreo rosado.
                Embora os números de nossas pegadas na terra não tenham sido contabilizados por nós mesmos, o solo adquire tal obrigação, se eu tivesse ainda meus pensamentos quando pequenina, concordaria com esse que escapou do fundo de minhas lembranças, sou uma contadora de memórias, mas a menina que há em mim sim, não eu mesma.
                Uma certa vez tive um sonho, e neste era um homem, talvez uma vida há alguns bons anos atrás, se realmente isso existir, eu adoraria ter sido aquele homem do plano onírico. Era rude e deflorado dos teus anos áureos da juventude, com seu caminhão e um companheiro. Viajava sentindo o norte do país, o caminho era feito de terra batida, assim como vamos para a zona rural de algum município, o calor escaldante e a pouca quantidade de água em seu galão. Se estivesse em outro lugar do planeta, talvez adquirisse outras descrições, eu o via em meu sono como um homem tenaz.
                No caminho o peso da carga e a precariedade do veículo colidiram junto ao tempo e o marasmo, estava numa via nua, sem pessoas, asfalto ou placas, eu, meu companheiro e o caminhão. O sol lançava rajadas de calor tão altas que a impressão de que estávamos sendo crestados a luz do dia.
               - Poderia pedir ajuda a alguém na última cidade?
               - Assim que o primeiro veículo apontar, acenarei em ajuda.
            - Traga: Parafusos dianteiros para rodas, cordas, e chaves, se possível graxa - com o sol e toda esta areia as peças foram empanadas – e não te esqueças, mais água.
                Ao trajeto de ida e volta de meu companheiro, enrubesci de cansaço e sede, as condições de entretenimento de um homem maduro eram as mínimas, o rádio deveria ser poupado devido as circunstâncias óbvias de uma bateria limitada. Cartas? Não havia parceiro. Um livro? Não vi em qualquer parte deste, talvez eu não fosse instruída nesta ocasião e vida.
                Com a volta do outro, percebi que os parafusos estavam errados, eram um pouco menores, as consequências de tal descuido ou ignorância de minha companhia, nos atingiu com o tempo, a cada dez  a quinze quilômetros a roda entortava, pois, os parafusos saltavam das rodas, e sabe la quantas vezes desci do caminhão, todavia em meu peito tive a anunciação de coragem e força. Um desafio que nenhum outro lugar poderia me propor, a vida em versos crus.
Percebo então que neste momento efêmero a misericórdia rogada. Enquanto o charco de oposições humanas ludibriavam o consciente de minha existência. A presença cândida de minhas preces procediam com ímpeto a sisudez de minhas vasta as transgressões.
Se houvesse qualquer hipótese de ser uma seguidora de outros princípios cumprindo o papel de uma imperatriz, bruxa ou sereia que habitasse qualquer parte do universo, de que importaria? Seria ainda assim a mesma, entre os olhos que cercam meus horizontes, e asseguram meus sonhos mais estranhos. Serei sempre um único exemplar em toda a existência de vida na terra.
Se os cadáveres tomassem conta de espaço que vivem, a terra seria ainda mais que uma simples composição de gases, o solo, traria uma civilização transitória para todo o sempre, se a matéria termina em pó, assim como os fragmentos rochosos que duram milhões de anos, se transformam em um solo quase próprio para o plantio, mas ainda com pequenas rochas e deste com o passar de eras se transforma cultivável. Mas os fósseis e cadáveres não tem tal poder não é Miss Nina? Se tivessem, a dimensão do globo teria triplicado, e teríamos uma camada de pessoas e animais, crosta, manto e núcleo.
Mas não esqueci dos mares, e ainda reitero que meu devaneio é em vão. Se não houvesse decomposição facilitada de corpos, teríamos um grande oceano deles, os camponeses e imperadores não aceitariam que em suas terras tivessem tal lixo orgânico nada fácil de ser decomposto ou reciclado.

              - Marcos Leite


sábado, 4 de janeiro de 2014

Memórias de Nina - Controvérsias


Parte 2.75

As pessoas são covardes, o mundo e as consequências talvez as fizeram assim, ou eu mesma posso ser uma mera covarde com os indicadores e a língua a espera de fazer uma crítica. É que nem sempre os vencedores são os que se dão melhor, as vezes você estar entre os melhores, não significa que você não seja o melhor em algo. As competições em alguns casos são irrelevantes, se os juízes são pessoas como eu, como podem escolher algo que não esteja em teu escopo de afinidades?
Você e eu nunca chegaremos a excelência e a perfeição, ninguém conseguirá, pois, ela não existe. A existência da perfeição só pode estar nos céus. A busca interminável pela perfeição, pela escrita difícil, pela pintura magistral e o perfeito acordo mundial que remete a ti inúmeros elogios, são empolgantes, mas isso não significa que é o melhor de todos.
A covardia dos homens não está apenas em competições, talvez o chamemos de imparcialidade, já a covardia é descoberta dentro de você mesmo, quando prejudica alguém com alguma mentira, o sadismo que instaura nos pulmões das pessoas, pode fazer bem ao ego, mas danifica o peito e em alguns caso nos presenteia com o remorso. Há inúmeros casos de covardia no planeta, com animais, pessoas, crianças, velhos e obras. Não sou uma doutora para me expressar de forma tão assertiva, mas a diferença dos tratamentos de crianças, pessoas e velhos são segregados.
Os velhos e as crianças estão próximos, pois a mentira e a enganação é muito comum, as pessoas, que assim podem ser considerados as adultas, gostam de trata-los assim, o tempo é também guardião dessa tal covardia, ele diminui o raciocínio dos mais velhos, e as crianças os presenteiam com a inocência. Quanto aos adultos, eles comprometem teu próprio tratamento, além de mentiras e enganações, adicionam a deslealdade e um pouco de inveja. Acho que estou nessa transação de criança/jovem para adulta e isso é um pouco deprimente.
Posso perceber que as ofensas são comum na vida adulta, e todo o plano de ser bonzinho quando pequeno é a esperança remanescente dos que já se tornaram adultos, acerca de tu não tornares como eles. E isso embora todos anseiam o resultado é o mesmo. Se tornarão uma faixa etária, independente de ter uma mente brilhante ou infantil. Será julgado e tratado  da mesma maneira do que os da sua idade. E a cobrança da vida adulta é etérea e cinzenta.
Estou com um pouco de inveja deles que estão nas árvores, não tenho tanta disposição quanto antes, se me arriscar a apanhar algumas jabuticabas, pode ser que escorregue e caia, estou com saudade de quando era menina, e as coisas pareciam um arrebol degradê, bonito, cândido e iluminado. Hoje parece que meus dias são todos iguais, são as mesmas atividades rotineiras, a malícia e as contas para pagar.
Um raio de luz é como uma flerte de esperança que vem das nuvens, sou uma adulta, mas me orgulho também, plena e convicta de quem sou, não totalmente como gostaria, mas sagaz o bastante para interpretar minha vida de diversas maneiras, e conseguir observar as outras. E apesar de eu participar de uma faixa etária, tenho a certeza que estou aqui, tenho minhas intenções e devaneios, não estou nesse mundo apenas para olhar ao redor e viver como um animal preso, mas compartilhar minha existência com os demais, já pensou que daqui duzentos anos pode ser que pesquisem sua vida como integrante importante da sociedade no tempo em que viveu?

- Marcos Leite


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pedido estelar






        Quando a aurora boreal apontar no cume dos montes, perpetuará o frio e a dissonância única das ilusões óticas, um sinistro brilho de cores dúbias, dosam a íris e o consciente, há o que interpretar desta valsa gigantesca de proporções belíssimas? Estamos dentro da sintonia idêntica e a similaridade compartilha a respiração efêmera e extasiante.
     Como num inverno devastador, as lembranças que ocorreram trepidaram no desfiladeiro do destino, ungindo de esperanças e a saudade modéstia parte, mas não percebes ainda que o nivelamento dos dias só se dá com o tempo? Hei ainda de sugar um pouco do brilho das estrelas opressoras, as que estão mais próximas de nós dois. 
       A pressa não é amiga, o que marcamos para ser real já se estende por mais de dois anos. O que esperaria de apenas uma noite ou um acordo feito entre testemunhas desprezíveis. A resposta só pode ser a mesma da qual quase todos na terra já ouviram. Nada! 
       - Acorde! 
       - Mas não estou dormindo. 
       - Deduza que sim, um dia quem sabe encontre o sono perfeito. 
    - Permitiria ainda um dia encontrar-me numa avalanche esquiando ao invés de simplesmente ser atingido por toda a neve? 
      - Se estas concorrendo a uma vaga no outro lado, pode fazer, mas tenha plena certeza que não estou pleiteando tal posição por agora, estou um pouco confortável aqui ainda.  
       - Qual tipo de sonhos posso escolher? Acho esse jogo confuso. 
       - Feche os olhos! 
       As intenções são calibradas pelos corações e cérebros de acordo com as possibilidades e sentimentos, um beijo inclusive tem a intenção particular de escolher entre o amor e o sexo, e inclusive o asco, existem bocas lindas, finas, carnudas e molhadas, anunciam algo ao olhar, mas inibem em muitas vezes o inebriante êxtase da paixão, acerca de que o prazer em inúmeros casos é colocado na dianteira. 
       Na vida estamos dispostos a tudo, as direções são escolhidas vulneravelmente e as consequências são o produto de nossas determinações cerebrais, às vezes não é tão interessante como deveriam ser, e em outras são melhores do que esperamos. E existem coisas que não controlamos, não esperamos que aconteçam, pois, fluem inesperadamente, acho que isso começa com um beijo. 
       - Oras, ainda não interpretou? 
       - Estou cansado de ficar com os olhos cerrados. 
       - O que vê? 
      - Uma imagem negra que aparece de vez em quando traços brancos, cinzas, imagens de meu inconsciente e algumas vezes você. 
       - Já começou a me enxergar? 
       - É pra isso que pedistes?
      O gelo nos polos nessa época é ainda mais belo, e quando percebidos doam sua beleza, nos acometendo a imaginar que são a fumaça solida do céu, alvos, brilhantes ao longe, gélidos a ponto de se tornarem únicos, e imensos. Resta apenas dois seres nesse lugar lindo, onde as estrelas nos sondam, a lua é maior que podemos pensar e a quietude cria a ambiência de um encontro romântico. 
       Estamos distantes da terra neste lugar, não há qualquer silvo, as árvores não existem aqui, e a possibilidade de encontrarmos alguém parecido conosco é mínima. Nos apresentamos mais próximos do espaço neste momento, e até mesmo o ar é mais difícil de aspirar. Duas almas, juntas e únicas, um enlace. 
       - Qual foi minha feição em seu quadro negro mental? 
       - Você estava mostrando a língua, como sempre fazia para me atormentar. 
       - Merecia em muitos casos. 
       - Mas estava linda! 
       - Sequer meus cabelos estavam arrumados? 
       - Não reparei. 
       - Nunca reparou. 
      - Senti sua onda de insatisfação, mas sabe que isso é o que gostaria de ter feito agora, te estressar, acho que sempre vou te estressar. 
       - E acho que por isso me cativou, com sua eterna implicância. 
     Um brilho estelar cortou o céu e deste todos aqui neste planeta perfeito já conheceram a lenda, ou ainda conhecerão. Assim que uma estrela cruza as outras em um maior esplendor, ela compartilha a possibilidade de fazermos um pedido e quando de coração dizem que eles são elevados ao criador. Os mitos não são de todo mentirosos, se existe tal ditado conhecido por milhões, quem foi o gênio brilhante que o inventou? 
       A luz cruzou nossos olhares, neste momento meus olhos já admiravam os céus, e minha companhia também, estávamos de mãos dadas a contemplar tão magnitude esfuziante, demorou por cerca de dez segundos, nunca antes em minha vida tinha visto algo tão longo e intenso, foram os dez segundo mais bonitos de minha existência, a minha alma gêmea e a perpetuação do maior presente ocular concedido a nós dois. 
       Uma lágrima flanou sobre as maças de meu rosto invariavelmente, e um frêmito me atingiu levemente, conheci o real sentido do amor, e estava pronto a compartilhar. 
       - Qual foi teu desejo? 
       - Desejei... Bem, eu desejei que você ficasse aqui até o fim.
       - O meu foi o mesmo, mas ainda não me tornei de carne novamente. 
       - Estou esperando a intercessão da estrela cadente. 
       - Eu te amo! 
      - Eu amo você também, e todas suas facetas de me encontrar até que termine teus dias. 
       - Se as estrelas não me ajudarem, vou esperar todos os invernos para poder vir aqui, e assim que a aurora boreal brilhar saberei que você me encontrará. 
       - Tenho que voltar. 
       As sílabas chegaram com atraso com cerca de um segundo, e as palavras se formaram lentamente em meu consciente, e percebi que apenas daqui um ano eu a poderia encontrar novamente e as diferenças entre o mundo e o amor já tinham sido liquidadas, eu esperaria até o fim, me ajuntar com teu espírito e vivermos juntos na imensidão. 
       - Deixe um pouco de tua existência comigo. 
       - Mas sou uma fantasminha. 
       - Me beije! 
       Após o dócil beijo, vi sua luz subir no horizonte, era ainda mais bela que a estrela, e então me dei conta que talvez aquela que raiou para nós, poderia ser outras pessoas apaixonadas que já estão juntas, e percebi que a porta está entreaberta para nós, e em meu peito a ânsia de teu amor busca o tempo todo por algum sentido, as palavras bonitas e o sentimento eterno pairam sobre mim, e eu me despeço com um sorriso entre lágrimas e o fervor da paixão. A esperarei para todo o sempre... 

- Marcos Leite



sábado, 21 de dezembro de 2013

Memórias de Nina - Existência


Parte 2

Me aventurei em minhas possibilidades cruas, pálidas e insossas, o que eu poderia ser além de mim mesma? Penso as vezes que as qualidades dos demais sempre vão superar meu entendimento, de uma jovem em constante mudança, e a velhice se aproxima como uma grande carruagem espartana. Acho mesmo que estou sozinha aqui. O mundo é recheado de pessoas e animais, casas, dinheiro e árvores. Em apenas um segundo o planeta inteiro sofre mudanças enormes, e eu mesma posso sentir apenas o leve toque de uma calmaria.
       Se há milhares de moças como eu, porque ainda não encontrei alguma que fosse, poderíamos fazer uma tatuagem parecida, criar um selo de irmandade, e em um dia quem sabe ao longe quando os rapazes nos avistassem, poderiam pensar que somos irmãs.
         Há tanto o que pensar sobre as ofensas cotidianas, embora os dias sejam lentos e os anos absurdamente apressados, me sinto como se estivesse liquidando todos os pensamentos vis, o perdão e o desapego fazem parte da vida adulta e estou saboreando de forma tao saudável que ainda posso crer que talvez eu não seja tão exclusiva assim. Mas parece que as vezes estamos entre uma bifurcação entre o bem e o mal, pensamos em grande parte das vezes que se todos estivessem bem o planeta seria alvo e sorridente, e o que deixamos de alcançar o torna sujo, a frustração. Gostaria que não me cobrassem tanto sobre as escolhas. Mas eu Nina, porque ainda tenho de me apropriar de tais respostas se sou a proprietária de minha existência?
          Em um passo apenas consigo corrigir o desvio e um pedaço de papel que se dobrou, os meninos em cima da arvore não param de gritar, acho que estão eufóricos com a presença de um tucano na arvore vizinha. Caso eu tenha me permitido a olhar para eles, estou um pouco feliz pelos meus lábios também se contorcerem de forma sutil e alegre. O que se leva de todas as incongruências encontradas ate agora? Um pouco mais aqui me dedicando a meus botões e a salada de cenoura será abortada para um omelete engordurado e calórico. Mas se não há problemas qual a graça de se viver? Ainda não estou no céu.
          A morte é o frenesi evitado por todos. Onde as células deixam de reproduzir, e as estrelas anseiam por seu brilho, tornar-me-ei uma. Enquanto isso, penso que isso é triste, alguns se vão e os caminhos entortam, a saudade talvez perpetue até mesmo sobre as estrelas brilhantes, sendo assim o pó do passado me fisga de imediato ou recorrerei ao juiz do tempo?

- Marcos Leite


 
 
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