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domingo, 12 de maio de 2013

Assovio minha canção


Deixo minha bagagem 
As bolhas de esperança esverdeadas
Tintilam entre as roupas
Me desfaço de ti também

Varrido o amor que sentia
Olho em direção ao sol poente
Inspiro o ar úmido da encosta
Assoviando uma canção

Esqueço de querer-te,
Escolhendo dias azuis
Fazes parte do passado
Como os lamentos do meu blues

- Marcos Leite


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Pierrô arbóreo

                Saberia contemplar os olhos da noite senão estivesse perdidos em meus pensamentos mais profundos, comportando-me como um flerte juvenil, de minhas lembranças mais dóceis, humildemente reconheço a flor que me entregaste naquele domingo, ali conheci o sentimento do amor e do carinho. Jamais esquecerei, o sopro fresco desse sentimento em meu coração.
                Ainda em minhas permanentes doses de reflexões me embriago em suas frases, singelamente percorreram sobre meus ouvidos e brotaram os sonhos em minha mente, e hoje sei, que de tudo que sonhei, foi regado por ti. Comprometeria o final de uma valsa caso lhe encontrasse, permitindo a mim mesmo o gozo da dança.
                Imagino que esteja bem ai, mesmo que não tenha notícias, e mesmo que quisesse. Tragando um pouco de meus pensamentos, reconhecendo e sorrindo. Pularia mais bambolês entre os mares, para chegar de encontro com os seus, se colidissem, jorraria uma grande cascata de êxtase.
                O lamento do blues é o que ouço, para conformar com minha pequena condição de solitário, entre os lamaçais da dor da canção, sugo como uma árvore a forças da terra e supro meu peito delas, inutilmente, sem o carinho e o amor, penso que sou apenas uma árvore. Importunando as melodias com meus galhos e ferindo as letras com o horror de meu semblante.
                Um pierrô? Se fosse personificado no blues, seria apenas um pierrô, ou quem diria um corvo sozinho, negro e triste, com seu talento e majestade, inibido por seu odor, o odor da inveja nos olhares que me percorrem.
                Habito a imensidão de meu consciente, chegando até o grande vale com as hortaliças vistosas, sem o deserto e nem a maldade. Y, X, K, um fluído, injetado acerca que esqueça de meu passado, e siga em frente para o colosso da vida, e estribe de toda a dor.

              - Marcos Leite

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O lamento de Etta James


O dia dobrou-se, o blues hoje está mais melancólico do que o costume, perdeu um dos seus, morreu Etta James, a fabulosa e aveludada voz. Inspiradora de potenciais divas da atualidade que se tornarão majoritárias com todo o trabalho e perseverança que a mesma teve.
Conhecida também por Miss Peaches, foi integrante aos 14 anos de uma banda rotulada por esse mesmo nome, que por ironia ou mimo foi apelidada assim. A cantora era uma grande solista na igreja, depois o blues a afastou e a mostrou as paradas de sucesso. Lançou hinos e um álbum considerado o melhor de blues do mundo, chamado Tell Mama, com influências gospel e rock, também lançou canções que elevaram casais e pessoas ao céu, At last, a mais tocada de Etta, usada na década de 50 em diante como a música mais usada em casamentos.
Uma vida conturbada, sofreu com problemas com o peso, obesidade mórbida e complicações com vício em heroína, não teve apoio materno, sua mãe uma mulher dominada pelas drogas e desapego, nunca conheceu o pai, supostamente por ter sido fruto de uma noite inebriada.
Ganhou destaque no coral da igreja, onde ela cantava e as pessoas choravam por tanta beleza evocada e dom. Sem sombra de dúvida após se afastar dos corais, Etta triunfou com músicas que contavam a dor e o amor, uma arbitrariedade infinda no coracao de uma mulher.
Inspirou Christina Aguilera, Adele, Beyoncé e muitas outras cantoras do cenário pop, todas amantes da voz grave e poderosa da dama do Blues, Peaches com certeza foi a maior inspiradora dessa geração de novas e boas cantoras, suas músicas tiveram covers honorários na voz de ambas e até estrelado sua vida nos cinemas, embora não tenha agradado.
Hoje o mundo perdeu uma das maiores cantoras do mundo da música, uma morte tão triste quanto seu estilo musical, morreu de leucemia e a demência também ja a tinha consumido. Embalou muitos corações por onde passou e somou tantos casamentos que populou mais que uma América inteira. Acredito que tenha pegado carona no carro de Johnny Otis (músico que morreu dia 17 de janeiro – encontrou Etta James e suas amigas cantando da década de 50) e se foram para o Olimpo dos grandes artistas onde cantarão para sempre.

- M.Leite

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Os sinos não dobram, se quebram!


           O pensamento atormentado de pessoas que clamam por ajuda é entoado freneticamente por suas cordas vocais, cordas e coros, muitas delas, pessoas desesperadas entre uma chuva de chumbo e desatino de sangue. A fumaça da impiedade invadia todo e qualquer canto, assim contavam os pássaros que fugiam e choravam.
O som contundente da marcha seqüente temia e arrepiava espinhas, e olhos banhavam rostos por onde passava, já era uma loucura surreal, não havia segurança dos pais, pessoas mortas, ensacoladas, sem cerimônias ou reconhecimento. O dia era negro, e as semanas também.
Mãos de ferro no controle, ira, pensamentos, ideologias, carnificinas e genocídios. Nem o sol mais brilhava, a fuligem dos canhões e os destroços já se adequavam a pintura futura do grande jornal que a publicaria.
Os traços da tirania eram marcados no chão, pelos tanques e carros ferozes que pareciam raposas rajadas de verde e marrom, a presa eram humanos, sanguinárias e fulminantes predadoras deles, mesmo que não tivessem culpa de nada.
                O lamento do urutau personificado no blues invadia corações daqueles que se perderam nesse lago sem fim, escuro e maculado. Sem vestes e pertences escondiam alguns atrás de portas e diques. Sem que soubessem que a radioatividade encarregaria de os consumir.
                De fato os sinos não dobram e sim se quebram, deixam de tinir e anunciar belezas e as flores da primavera, deixam a vida e a plenitude.

- M. Leite
 
 
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