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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Pierrô arbóreo

                Saberia contemplar os olhos da noite senão estivesse perdidos em meus pensamentos mais profundos, comportando-me como um flerte juvenil, de minhas lembranças mais dóceis, humildemente reconheço a flor que me entregaste naquele domingo, ali conheci o sentimento do amor e do carinho. Jamais esquecerei, o sopro fresco desse sentimento em meu coração.
                Ainda em minhas permanentes doses de reflexões me embriago em suas frases, singelamente percorreram sobre meus ouvidos e brotaram os sonhos em minha mente, e hoje sei, que de tudo que sonhei, foi regado por ti. Comprometeria o final de uma valsa caso lhe encontrasse, permitindo a mim mesmo o gozo da dança.
                Imagino que esteja bem ai, mesmo que não tenha notícias, e mesmo que quisesse. Tragando um pouco de meus pensamentos, reconhecendo e sorrindo. Pularia mais bambolês entre os mares, para chegar de encontro com os seus, se colidissem, jorraria uma grande cascata de êxtase.
                O lamento do blues é o que ouço, para conformar com minha pequena condição de solitário, entre os lamaçais da dor da canção, sugo como uma árvore a forças da terra e supro meu peito delas, inutilmente, sem o carinho e o amor, penso que sou apenas uma árvore. Importunando as melodias com meus galhos e ferindo as letras com o horror de meu semblante.
                Um pierrô? Se fosse personificado no blues, seria apenas um pierrô, ou quem diria um corvo sozinho, negro e triste, com seu talento e majestade, inibido por seu odor, o odor da inveja nos olhares que me percorrem.
                Habito a imensidão de meu consciente, chegando até o grande vale com as hortaliças vistosas, sem o deserto e nem a maldade. Y, X, K, um fluído, injetado acerca que esqueça de meu passado, e siga em frente para o colosso da vida, e estribe de toda a dor.

              - Marcos Leite

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O que há?



Há dias que as coisas acontecem embaixo de suas ventas,
e você... não está nem aí!
As coisas passam e repassam,
Despreze-as!

Não ligue para o que pensam de você,
aposto que ninguém é melhor que você o tanto quanto acham,
Seja analítico em seus olhares,
ele elimina os medrosos.

Não tenha medo do que falam de você,
aposto que ninguém consegue fazer o que você é capaz,
Tenha sua opinião formada e,
não seja mais uma maria vai com as outras.

Considere as pessoas que você guarda em seu coração e pensamento,
Aposto que ninguém é melhor do que elas, sabe,
foi você que as escolheu, sem hesitar e com amor.
Compreenda o atos daqueles que você guarda,
na maioria das vezes fazem por que o ama!

E não se esqueça do tempo e as coisas que vem e vão,
pois um dia nessa inerente insensatez,
desapareceremos com ela.

- M. Leite



terça-feira, 27 de setembro de 2011

Os sinos não dobram, se quebram!


           O pensamento atormentado de pessoas que clamam por ajuda é entoado freneticamente por suas cordas vocais, cordas e coros, muitas delas, pessoas desesperadas entre uma chuva de chumbo e desatino de sangue. A fumaça da impiedade invadia todo e qualquer canto, assim contavam os pássaros que fugiam e choravam.
O som contundente da marcha seqüente temia e arrepiava espinhas, e olhos banhavam rostos por onde passava, já era uma loucura surreal, não havia segurança dos pais, pessoas mortas, ensacoladas, sem cerimônias ou reconhecimento. O dia era negro, e as semanas também.
Mãos de ferro no controle, ira, pensamentos, ideologias, carnificinas e genocídios. Nem o sol mais brilhava, a fuligem dos canhões e os destroços já se adequavam a pintura futura do grande jornal que a publicaria.
Os traços da tirania eram marcados no chão, pelos tanques e carros ferozes que pareciam raposas rajadas de verde e marrom, a presa eram humanos, sanguinárias e fulminantes predadoras deles, mesmo que não tivessem culpa de nada.
                O lamento do urutau personificado no blues invadia corações daqueles que se perderam nesse lago sem fim, escuro e maculado. Sem vestes e pertences escondiam alguns atrás de portas e diques. Sem que soubessem que a radioatividade encarregaria de os consumir.
                De fato os sinos não dobram e sim se quebram, deixam de tinir e anunciar belezas e as flores da primavera, deixam a vida e a plenitude.

- M. Leite
 
 
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