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domingo, 6 de janeiro de 2013

Pacto



O rubro mistério guardado entre as tolices
Agonizam o manto alvo a esmorecer oposto a plenitude.
Cingindo um cálice maldito
Do sangue que sais de teu seio rubenesco

Queres entregar teu bem para o sempre?
E virá em seu cavalo negro
Buscar tua alma,
No ébrio sentimento de êxtase.

Os reinos estão a teus pés
A marcha fúnebre foi adiada
A glória perpetua sobre sua auréola gris
Comporta-te, és única agora!

Decorrerão as primaveras e os outonos
Gesticule para os colibris
Tenha varões nobres
O fim está próximo. A coroa? Nunca mais!

- Marcos Leite



quinta-feira, 1 de março de 2012

Pessoas previsíveis


O que espera do futuro? O incerto, quem sabe uma grande casa, filhos, melhorias nas cidades, um pensamento um pouco comum o seu, todos querem plenitude, querem ter êxito nas coisas que faz e até mesmo nas que se esquecem de fazer.
Incerto, cremos sempre que o futuro é incerto, mas não admito tal conduta mesmo que quisesse, você pode programar sua vida caso queira, o que não vai saber são as pegadinhas que o tempo lhe reserva. Outro dia ouvi dizerem que teríamos mais um novo empreendedor em nosso país, e também acho que minha avó e meus pais já ouviram tanto isso.
Pessoas são previsíveis, as que mais exalam mistério são as mais fáceis de se descrever e mostrar o quanto idênticos são aos outros da sociedade. Uma boba vai no supermercado novo da esquina e cuida de procurar todos os detalhes, após chegar em casa pega o telefone e liga para a vizinha para proferir com toda delicadeza comum a classe sobre o novo estabelecimento, a comadre que está do outro lado da linha aproveita e conta como foi a noite do vizinho que ouviu o som ligado até as 3h22min da madrugada.
A maneira como muitos se comportam cada vez mais é fácil ser catalogada por psicólogos e psiquiatras, uma vez que eles realmente fazem apenas seu trabalho ao invés do que você pensa que estão realmente preocupados com você a ponto de ligarem se chegaram bem do trabalho. Delibero com real sinceridade que não tenho nada contra eles, apenas referi ao pensamento daqueles que pensam erroneamente sobre uma profissão tão generosa.
Algumas pessoas amam filas, mas reclamam o tempo todo por estarem nelas, mesmo o bankline, ou melhor, o acesso eletrônico bancário de sua conta, onde pode fazer quase todos os tipos de transação, cujo  necessita apenas da internet para utilizá-lo, ainda assim gostam de reclamar das filas dos bancos, a propósito, não sou bancário e não trabalho em agência alguma.
Gostaria de encontrar pessoas nas ruas que gostasse delas mesmas, que se preocupassem mais com o que querem do que o vestuário. As roupas por si próprias não favorecem ninguém, a não ser que seja uma modelo, o intelecto de muitos são enferrujados devido a preguiça com a leitura, falta de sonhos e um bocado de desinteresse. Cuidar de sua mente e utilizar dela como seu carro chefe para melhoria da convivência de todos é interessante. Força e ignorância devem ser deixadas pra trás. 
Há sempre um esperto, como dizemos, espertinho ou engraçadinho, que tem sagacidade maior que dos outros ou aguçada, esses conseguem ver as arestas que tem brecha para poder manipular fatos ou circunstâncias em vantagem de enganar alguém, no entanto esquecem que os espertos sempre se estropiam de toda sua esperteza.

- M.Leite

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Os sinos não dobram, se quebram!


           O pensamento atormentado de pessoas que clamam por ajuda é entoado freneticamente por suas cordas vocais, cordas e coros, muitas delas, pessoas desesperadas entre uma chuva de chumbo e desatino de sangue. A fumaça da impiedade invadia todo e qualquer canto, assim contavam os pássaros que fugiam e choravam.
O som contundente da marcha seqüente temia e arrepiava espinhas, e olhos banhavam rostos por onde passava, já era uma loucura surreal, não havia segurança dos pais, pessoas mortas, ensacoladas, sem cerimônias ou reconhecimento. O dia era negro, e as semanas também.
Mãos de ferro no controle, ira, pensamentos, ideologias, carnificinas e genocídios. Nem o sol mais brilhava, a fuligem dos canhões e os destroços já se adequavam a pintura futura do grande jornal que a publicaria.
Os traços da tirania eram marcados no chão, pelos tanques e carros ferozes que pareciam raposas rajadas de verde e marrom, a presa eram humanos, sanguinárias e fulminantes predadoras deles, mesmo que não tivessem culpa de nada.
                O lamento do urutau personificado no blues invadia corações daqueles que se perderam nesse lago sem fim, escuro e maculado. Sem vestes e pertences escondiam alguns atrás de portas e diques. Sem que soubessem que a radioatividade encarregaria de os consumir.
                De fato os sinos não dobram e sim se quebram, deixam de tinir e anunciar belezas e as flores da primavera, deixam a vida e a plenitude.

- M. Leite
 
 
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