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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Sereia Negra

Como um cântico profundo, volúvel
Ouço-te sob o frígido ar do cortejo
Mitológicas ondas dos mares, demônios, intermitentes
Te trazes a mim, a devoção de minha malevolência

O barco cessa no declive, e salto
Trago-a comigo, desejos de peles transversas
Amplexo entre dois mundos
Que queimam, feito o lume no inferno!

Vós sugares minha vida, pouco a pouco?
Sereia és tu, imortal — e do mal
Enganara-me com seus versos servientes
Surreal e abissal

Permita uma dança?
O corpos sintonizados, volúpia, iniquidade
Ele está enfeitiçado, jamais reconhecerás
Um beijo de adeus, desanuviou no mar

Vozes a noite ainda me assombram
Forçando-me a ceder
Mas nunca, jamais cederei
Se tenho uma escolha, então escolherei viver!

Não atrevas deixar-me, insisto!
Sou a princesa das águas, não te estribes
Já não podes me corromper mais em sua angústia!
A praga brotará, perecerás...

Resquícios de fumaça entre a água e o ar, desaparecestes,
Oh! varão invejável, luta, e acolhe-se nos braços de Laura,
A valsa e o enlace matrimonial, fumegados.
Perecerei...

O beijo azul da sereia cor de ébano,
Vermes e a peste proliferou, sangue, nunca mais
Murcho e oco, flutua sob o Cáspio
Em seu corpo, fios de cabelo negros tragam-no para as profundezas do mar.

- Dueto de Mauro Alves e Marcos Leite

terça-feira, 22 de maio de 2012

Entorpecimento Tépido

         Transpassada a fumaça de meu cigarro recordo, os rinocerontes que estão pelas nuvens, cálidos de seu sopro dominante. Ainda que pudesse pensar todas as pegadas que ainda estipulassem um certo assassínio, envolveria todas as maldiçoes desse pueril som. Aliás, saberei realmente que as letras torneadas do esdrúxulo grilhão, tenha sucumbido ao gris de meu ver?
Fulguras emitida de um lastro imundo, era o que a menina de meus olhos retratara quando a peste pairou ao ar e arremessou sua afronta aos carnais. Oh, Cabrón! Articulado, embora suas chamas peregrinassem o labirinto de ilusões, ainda que tardasse, uma carnificina bruxulearia.
Saprófitas emolduradas nesse plano incerto de linear e confusa topografia, gostaria realmente que súditos me carregassem, embora estivesse mais imundo que um javali entre a lama. Cintilante é aquilo que vi e nunca esqueci, de que minhas pálpebras se fecharam e traçaram suas vestes pecaminosamente alvas e belas. Surgiu de minhas unhas, a ira, mas cessara com a calmaria do vulcão.
Escárnio a meus ouvidos de sentinelas invisíveis, a busca de uma couraça e um capacete titânico. Sumam de minhas cartilaginosas orelhas e se estropiem na quinta parcela do sol, próximo ao Si sustenido e soem para o resto do esquecimento meu urro de perdão.
Ao memorizar as paredes desencontradas das ruínas, quisera cimento e gatos, utilizados para apenas estraçalhar toda a velha estrutura, seus tijolos negros pulariam para o verniz do lago sem fim.


Personalidade conhecida e aclamada pelas mentes inúteis, hoje me deparei, desprezivelmente suas longas madeixas foram arrancadas e lançadas ao tanque, o trote de um potro feroz flanou algazarras cruéis, de que meu peito nunca teria as visto dessa maneira tão insípida e maculada.
Mas ao retumbante poema, libertei o grande som, e obtenha êxito para todo o terreno de faculdades mentais e teóricas a cerca de sua constante velhice peculiar, ao austero dardo de fuga, seja sua vala ou procure as rosas.

-M. Leite

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Os sinos não dobram, se quebram!


           O pensamento atormentado de pessoas que clamam por ajuda é entoado freneticamente por suas cordas vocais, cordas e coros, muitas delas, pessoas desesperadas entre uma chuva de chumbo e desatino de sangue. A fumaça da impiedade invadia todo e qualquer canto, assim contavam os pássaros que fugiam e choravam.
O som contundente da marcha seqüente temia e arrepiava espinhas, e olhos banhavam rostos por onde passava, já era uma loucura surreal, não havia segurança dos pais, pessoas mortas, ensacoladas, sem cerimônias ou reconhecimento. O dia era negro, e as semanas também.
Mãos de ferro no controle, ira, pensamentos, ideologias, carnificinas e genocídios. Nem o sol mais brilhava, a fuligem dos canhões e os destroços já se adequavam a pintura futura do grande jornal que a publicaria.
Os traços da tirania eram marcados no chão, pelos tanques e carros ferozes que pareciam raposas rajadas de verde e marrom, a presa eram humanos, sanguinárias e fulminantes predadoras deles, mesmo que não tivessem culpa de nada.
                O lamento do urutau personificado no blues invadia corações daqueles que se perderam nesse lago sem fim, escuro e maculado. Sem vestes e pertences escondiam alguns atrás de portas e diques. Sem que soubessem que a radioatividade encarregaria de os consumir.
                De fato os sinos não dobram e sim se quebram, deixam de tinir e anunciar belezas e as flores da primavera, deixam a vida e a plenitude.

- M. Leite
 
 
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