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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Fé, Faith, Foi, Fides, Fede

           Ontem me questionaram o fato da água ser inodora, acrescentei também o fato de ser incolor, e exclamamos juntamente que o adjetivo insípido fazia parte de teu escopo de qualidades invisíveis. Um fator nulo, oco, vital e metafórico. Se não há nada que se assemelhe, o quão fantasioso podemos considera-la?! Acontece que a física a classifica com massa e densidade, a química estuda sua composição, são todas partes de teorias aleatórias e superficiais, assim como um ovo e sua formação, me admira o fato dele ser concebido por uma ave e ainda ser mole ao ser botado. Teorias superficiais, ainda não obtiveram êxito na criação de uma galinha mecânica, quem sabe, um aparelho que produza água mineral.
           Há ironias na terra que são aceitáveis, como a exploração de minérios, poluição, fome e as guerras, existe alguém ainda que julga ser culpa de Deus todos os resultados da tirania dos homens? Certamente estive enclausurado de anedotas fúteis sobre o tema, quais não tive a euforia costumeira de um circo, inclusive não me fizeram gargalhar ao ponto de segurar meu peito acerca que parasse com tal escárnio. 
           Os fatores transparentes movem multidões e povos, seguramente dentro de teus princípios territoriais e culturais, a menção da história, o costume e as manifestações tornaram-se comumente um simples conceito, o cultural. Mesmo que a sisudez de um homem ou mulher corrompa seu povo, os fatos constatados e o dimensionamento do passado, podem tornar que tais atitudes sejam aceitas, o tempo em longa escala inibe admoestações, o círculo de fatores imundos e certos fazem parte do mesmo conceito.
           A fé é um fator fantasioso, real, místico, glorioso, irrelevante, os pensamentos referentes a crença nos levam a administrar opiniões diversas, dentre grupos, legiões e países, e tais produzem reações distintas, algumas como hecatombes, reabilitações de viciados, assassínios e absolvições. O exército A pleiteia a censura do exército B, por hora, o B acusa o A, e assim começam aparecer os exércitos C, D, E, F e tantos outros que começam a serem enumerados. Qual o fato da fé ser pauta de tantas discussões no cotidiano?
           Assim como o Senhor, a água é transparente, daí a pouco, vão me provar que a água está visível. Que inusitado! Se não o fosse, o mar seria um enorme buraco com animais nadando e ou flutuando sobre um ar com massa física e de propriedades químicas. O ar, ele também é questionado, se não existe, não haveria hipótese de existirmos, não possui cor, é invisível, mas quem disse que o mundo crê em coisas invisíveis?
           Assim como os elementos básicos da terra, há uma certa dúvida particular, acho que talvez seja uma infâmia compartilhar em um universo tão extenso e de inúmeras mentes pensantes e soberbas. Uma criança que conheci no Brasil, de apenas sete anos, dizia coisas estranhas, o idioma não sei ao certo, e geralmente acontecia em cultos de adoração a Deus, e ainda não obtive resposta de tal ato presenciado. Segundo as leis federativas, o aramaico, talvez a língua mais próxima da que ouvi , não foi incluída esse ano a grade curricular da primeira série do ensino básico.
           As características mais vulneráveis do homem estão propostas durante ou após o fracasso, acerca de que tenham a piedade ou indulgência de outros homens, garante alguns por menores de culpa ou a absolvição da causa. Acredita-se que nem sempre o que está caído busca além de teu círculo de conhecidos a ajuda, talvez apenas em teu leito de morte, embora isso talvez não esteja num panorama mundial, os costumes nem sempre adquirem a conduta de martirizar a sombra da morte. 
           A utilização da lógica para fatores tangíveis e intangíveis, sólidos e transparentes perscrutam as civilizações desde a famosa explosão, da qual se fez tudo, inclusive o ar invisível e a água transparente, criou uma bolha perfeita neste enorme universo infinito e ignorou a presença de um criador, alinhando perfeitamente a terra a luz do sol e abençoando com um satélite natural, trouxe povos, dinossauros e a flora, iniciou a vida e dela a invisibilidade e a transparência, desde sempre questionadas.

- Marcos Leite



terça-feira, 26 de novembro de 2013

Memórias de Nina


Parte 1

Quando olhei para o vento, vi que as jabuticabas estavam amontadas sobre os galhos e muitas crianças ao redor e a colher, percebi a distância, em que meus pensamentos flutuaram entre o passado e o presente, e aqui estou, mais velha e adulta. Oh! É como se uma tarde de verão acometesse aos meus dias áureos, e assim perpetuasse aquele momento. Embora, eu esteja prestes a comprar um pouco de cenouras e tomates, há ainda a salada para fazer. Mas ainda percebo que isso tudo não se esgueirou de mim, estou aqui, e a luz que transpassa as folhas me fornece a gentil companhia, e essas crianças sujas e sorridentes fazem perscrutar meu interior.
         As cartas empoeiradas... De repente lembrei-me delas, ri e chorei, estou solta nesse mundo sem aspas ou pontas a aparar, o mundo se esquivou e eu me perdi. Se importassem todos os méritos que adquiri até hoje, eu estaria sorrindo ao invés de largar meus pés e sentar, questionando o porque do destino e as interferências ocorrerem de modo a atrapalhar os sonhos de uma pessoa, assegurando somente o amargo sentimento de frustração. Muitos insinuaram que tive oportunidades, e a melhor forma de tudo se solucionar é acreditar e correr, mesmo que seja pelos quarteirões.
      Um doce de nozes, tortas e cremes, são tao fáceis de serem feitos, se pudessem provar um pouco de alguns, uma contribuição generosa, exerceria um favor as tuas memórias, as vejo assim, participei de coisas, e cá estou a pensar, que as nozes me lembram do sabor adulto, o que jamais abracei quando menor, o morango sim era meu predileto quando jovenzinha, e como o tempo e as condições climáticas não só mudam a vida vegetal, mas a mim também mudou. O frio faz parte de mim em muitos casos, e o gosto adocicado da fruta vermelha mais famosa, se foi.
       Assim que as aves voarem para o sul, sondarei mais casacos, e o de sempre, gengibre, me faz bem. Acontece as vezes que pensar em todas essas mínimas coisas são tão inúteis e requerem meu tempo e a ocupação da minha mente, acima de tudo, acho ao menos que estou pensando, alguns sequer fazem isso. Há muito do que desvencilhar de meus dias mais escuros e brancos, não como um tabuleiro de xadrez, mas a caminhada  de qualquer homem, ou mulher no meu caso, é mais incerto do que posso deduzir. Hoje tenho sapatos com plataforma, há alguns anos, entendia realmente do tato, sabia quando pisava na areia, grama, terra ou nos paralelepípedos, não havia meias ou sapatos, andar descalça é o que me lembro agora.
      O som do fagote é extremamente irritante quando teu vizinho é um principiante qualquer, o estorvo é tao constante que até a massa de meu pão ficou engordurada, e já nem entendo mais o dialogo da novela vespertina, torço para que se acomode e sua disciplina se esvaia entre os soar do instrumento, assim como vão para as nuvens e os querubins devem estar esgotados de paciência.
        A tendência feminina de me tornar uma senhora mal humorada é calculável, todas as coisas no mundo são medidas e anotadas, um núcleo de pessoas e a matemática unem-se e criam a estatística, a qual é seria, caso prefiras fazer parte dela, os números estão espalhados por todos os cantos, dizem por ai que os homens estão vivendo mais, as pesquisas sobre curas, há inclusive números que mostram pessoas que quebram tabus e outras que os fortalecem, calcula-se mais do que pensas, até o numero de pensadores pode ser mensurado, mas de que adianta? Se o que tens eu teu interior não ultrapassa nada além de teu próprio viver, és totalmente responsável por eles, e ainda talvez se enquadre em alguma esfera estatística, pois bem, não disse anteriormente que tudo pode ser medido? Talvez, se perturbarem meus dilemas com transgressões ou confusões, então não poderão me medir, serei única, o que neste momento vejo que sou.
       Quando a primavera vir, posso ter um pouco menos de angústia ou felicidade, os sentimentos parecem estrelas cadentes, nunca se sabe o momento certo, contudo, a plena certeza que elas estão ali. E pode ser que as veja, ou que vire o pescoço no exato momento, quando chegar a primavera não quero estar com a cabeça inclinada para o lado. Uma folha macetei entre o polegar e o indicador, elas lembram a vida, mas são fedidas como a vegetação sem cuidados, selvagens e verdes, gosto de sentir o cheiro de folhas espremidas pelos dedos, habituei meus sentidos a se comportarem sincronizadamente, há memórias abertas.

- Marcos Leite


terça-feira, 5 de novembro de 2013

X, Y, rio, ciência e sobremesa

            Aventuramos nossa existência num portfólio comum, seja mundial, seja intrínseco, de que nossos pensamentos e posteriores atitudes atuam de acordo com sonhos e projetos. O que seria da vida se não objetivássemos desejos e positividade? Há um fator X ainda ser aguçado pelos viventes, o pensamento de Deus, ironicamente jamais poderíamos pensar como o criador, mas inebriarmos de teu conhecimento.
            Impulsionar nossos sentimentos e feitos de acordo com os ensinamentos, acusas de pronto a dificuldade? A mim também foi concedido tal fraqueza, a intenção benévola e reta pode nos limitar de algumas vontades, das quais no mundo estão em ascensão desde o inicio da carne, todavia, os fardos terrenos e as aflições contribuem para os tesouros espirituais, a integridade e a comunhão.
            Se o fator X remete a luz, o Y jamais poderá viver em teu esplendor, e sim nas trevas, o pecado, a chaga que carrego, tu, nós e eles. Não existe homem, ainda que justo, que não fraqueje, somos todos falhos, mas podemos confiar num espírito perfeito.
           Quando estamos distantes do pecado, as promessas e planos tendem a cumprir precipitadamente, segundo a vontade de Deus. Esvair nossos olhos da cobiça, vingança, o ódio e a luxuria, alguns tópicos do fator negro Y, são muitos, e estamos neste lamaçal sem que tenhamos consciência, contudo, existem nossos olhos para vigiar-nos, e alguns deles estão admirando as iniquidades cometidas e até mesmo as sobrancelhas já se esgueiram para cima fugindo de tal apreciação gentio.
              O que pronunciamos pode ser o rio, aquele que margeia o lado X e Y, pois, tua boca, pode comprometer teus dias e vida, como atrair bênçãos divinas. Como está escrito, a boca fala o que o coração está cheio, se há outra passagem mais conveniente e popular desde o principio, podemos eleger um ranking de versículos famosos que são ouvidos e esquecidos.
            Se usas para praguejar e cultivar a ruína, deves lembrar da misericórdia e do arrependimento, talvez use para alegria, não te assustes se transpareceres em teu rosto, o coração puro formoseia a face, assim como o angustiado oprime o espírito. Lembra-te, a boca está entre as margens, use-a para teu próprio bem.
                A experiência está dentro desse escopo, os homens mais brilhantes e ilustres do mundo, tinham experiência, assim como as mulheres, obtiveram e dela jamais necessitaram conhecer. O entendimento ao decorrer do tempo se torna bom, e grande parte crê que nada mais pode ser apresentado. A soberba e a orgulho adquirem força e o entusiasmo da humildade dissipa de teu coração.
              Na terra não há mente perfeita bastante para dissimular os próprios caminhos e dias, sendo assim percebemos que perante maior atribuição de capital intelectual, mais contribuímos para nos vangloriamos acerca de um legado ou descoberta, incentivando a excentricidade, distanciando e escarnecendo dos céus.
                E diante o rio que margeia os dois lados, e a conduta seguida de acordo com teus dias, o prato final, seja comum como a sobremesa, é familiar, sim, a familiaridade. A temos e conhecemos bem, ela contribui para o fim de muitas coisas, o fator morno, nem quente, nem frio, a intimidade.
             A cordialidade é esquecida com tal sobremesa, ela afeta relacionamentos, condições e expectativas, somamos os dias e as pessoas, junto a oportunidades e possibilidades, e no fim preferimos manter como está. O respeito e o carinho estão próximos, e quando os temos continuamente, esquecemos do valor, e o produto de tal equação muitas vezes são famílias desoladas, entes oprimidos, casamentos arruinados, e o mais comum, a vida infértil, sem prosperidade, e tal resultado é concedido de acordo com nossas escolhas.

 - Marcos Leite



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A escrava

         
       Quando as lamparinas mais distantes, ardiam no hirsuto pavio, a trilha seguia até o paiol, distanciando da casa grande, uma fazenda, por costume e pela imparcialidade dos quais os criados aprenderam, tais nomes e características a serem rotuladas e seguidas. Trazia ainda o aspecto campeiro, ávido como o céu nas alvoradas, fervilhantes tardes e noites frescas, as árvores e o rio contribuíam para o amenizar da temperatura.
         A lua quase escondida, a minguante estava no fim, um lampejo podia ser visto ao longe, e as estrelas estavam ofuscadas, era noite nublada, as objeções do comum e ideal de ter uma noite estrelada caíra por terra, resultando uma sombria e negra noite, as trevas superavam todo rastro lunar, e as árvores tinham aspecto fantasmagórico, paus pelo caminho, um velho trator, e um galinheiro. O silencio demonstrava liderança, até mesmo as aves noturnas, piavam com menor frequência, a escuridão havia as entorpecido.
         O vento bruxuleava a pequena chama, e o azeite em ocasião não era em abundância em teu recipiente, mas ainda assim, não faltaria até que voltasse para a casa grande. De touca, semelhante a um turbante, um vestido maltrapido, as unhas eram negras, e dedos grossos e ásperos, mãos calejadas e envergadas, o uso da potassa ao cuidar das roupas dos patrões e o pilão para socar o milho, as guarneceu de uma pele rude e ríspida. Olhos negros, sem brilho e feios, uma escrava.
       Ao aferir teus pertences, adentrou a porta fechada por tramelas, deixara a lamparina sobre a tábua suspensa, utilizada então para colocar o saco de palhas e sabugos, que rotineiramente servia de alimentos para os ruminantes, agachou, riscou um círculo a giz, colocou velas, e acendeu um incenso, uivou por mais de uma vez, e mastigou um pedaço de palha e gritou.
       Pela manhã, sem conjecturas, ouvia paulatinamente sobre o fogão de lenha, usava um avental cinza e tinha a presença resumida as mariposas, ninguém se importava. Ouvira:
         - Me sinto mal, talvez seja a comida.
         - Começou hoje?
         - Oh! Sim, acho melhor repousar, estou febril.
     Os sintomas interiores da moça realçaram ainda mais teu rosto cadavérico, e as pálpebras desta vez abriam com menor intensidade, após uma semana, morrera. Coincidiu com a lua nova, negra e retumbantemente escura. A noite após o velório, as cerimônias fúnebres iniciaram e nos primeiros raios de luz a enterraram.
         Um riso cruel instaurou no peito da jovem escrava, a ira se fora, sortilégio perfeito.
         Nas dependências da fazenda, quando nada mais sorria, a noite se alastrou e a chuva caiu como uma torrente enfurecida, uma tempestade armara e os raios tintilavam sobre os pastos e árvores. As cabras baliam, os porcos grunhiam, e as vacas e bois mugiam estranhamente, ainda que parecesse uma profecia a se cumprir, os olhos assustados dos animais caracterizam o aspecto fantasmagórico de um espectro rondando o quintal.
       Ao transcender da madrugada um barulho ensurdecedor vibrava no quintal, e os moradores olharam pela janela, a escrava rodopiava entre brasas e um mastro de ferro sobre um circulo em meio a chuva, ainda assim as brasas eram vívidas como as que ficam no fogão, ela dançava e girava como um pião e de acordo com os passos de sua dança macabra as letras se formaram e deram o nome de Lídia, a defunta, os que estavam na janela ficaram atônitos e a chuva cessou.
        Os pés da escrava estavam tão machucados que sangravam, em um aceno de escárnio se entregara do sortilégio lançado a moça que morrera, o ato feito há uma semana do falecimento. Ao que a mesma supunha, veria sua morte através de um dos que estavam na janela, então vociferou aos céus blasfêmias e maldições.
         Um vulto se aproximou, e os olhos de vingança e zombariam tremeram de pavor, os sinos da capela soavam, e o semblante era de horror, o espectro ficara de fronte a feiticeira, o pacto neste momento era cobrado.
         Como num espelho, ela se viu, com a lamparina nas mãos, entrando no paiol, sentiu o gosto da palha, e as velas cintilaram em teus olhos, estava intacta e ereta, o pavor a tinha consumido, e seus pés como ainda sangravam, as corujas voaram próximas, uma a bicou no pé e piou alto e outras começaram a bicar e arranhar o rosto e corpo da escrava, e a pele negra e viscosa sangrava, se contorcia e tentava correr, as corujas adiantaram o banquete, e como o rastro de uma lamparina a sombra subiu aos céus e cortou a dimensão da lua, mostrando então um pequeno L, adiantando a crescente, em resposta ao feitiço da também agora defunta.


- Marcos Leite


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Malefícios espectrais - E-book


O e-book foi montado a partir dos contos aqui publicados, no folheto nanquim, e os temas escolhidos foram o policial e o horror, os contos inspiram o grotesco e a tragédia mental. 
Faça o download AQUI!



 
 
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