domingo, 12 de junho de 2011
Engraçou-se
O alucinado acaso
o assassínio impecável
o sangue do escárnio
A seda de seu lenço
as jóias geladas
adaga cravada
Entre os olhos de ira
eis o réu.
És vingança paga.
- M. Leite
sexta-feira, 10 de junho de 2011
No metrô
Os passos estavam calmos, andavam vagarosamente entre aquelas centenas de pés que rumavam em uma só direção, havia muitas cabeças, de muitos tamanhos e ornamentos diferentes, algumas tinham bonés, outros chapéus, lenços, faixas e uma e outra sem fio algum. As feições eram as mais diversas, algumas preocupadas, outras emburradas, algumas sorridentes e outras com sobrancelhas altas e olhos arregalados de pressa.
O embalo da escada que rolava era vagaroso, as bolsas incomodavam os que passavam, outros ficavam na frente como se nada tivesse acontecendo, a escada não parava e entrava e saia pessoas nas extremidades da superior para inferior.
Defrontavam com algumas pilastras de madeira e acrílico, tinham pessoas lendo as mensagens, outras ao telefone, gente era para todo lado.
Mas o olhar não deixou de perceber que havia algo mais, os ouvidos todavia começaram a sentir um toque doce, notas e mais notas ligeiras soadas por um exuberante piano. Eles tocavam músicas consagradas e esquecidas, havia uma roda de pessoas apreciando o momento.
O pianista sentado em seu banco feito de madeira maciça e acolchoada, comandava as canções, as notas iam se vinham nas mentes das pessoas e faziam bocas mexerem e olhos brilharem. Um senhor, um pouco velho, com cabelos brancos, nariz comprido, olhos pequeninos, trajava uma roupa humilde, mas muito adequada para a ocasião, era um cantor, daqueles que tinha na voz a ternura que emocionava os corações, a solidez de um tenor e o gracejo da calmaria, ele nos olhava com um olhar de gratidão, de poder em sua avançada idade mostrar seu talento, o rouxinol que trazia em sua garganta de velhas cordas fortes.
Apoiada sobre o piano, havia uma mulher com a idade avançada, assim como o velhinho bacana, ela cantarolava com amor as músicas de sua juventude, fechava os olhos com êxtase e entoava sua voz leve para o alto, era uma pessoa muito feliz e generosa, não a conhecia, mas sua feição a entregava.
As canções e notas foram tocadas, pessoas iam e vinham, a maioria delas apressadas, no entanto aquela noite valeria mais a pena, pois a beleza que fora vista, refrigerou os corações.
- M. Leite
O embalo da escada que rolava era vagaroso, as bolsas incomodavam os que passavam, outros ficavam na frente como se nada tivesse acontecendo, a escada não parava e entrava e saia pessoas nas extremidades da superior para inferior.
Defrontavam com algumas pilastras de madeira e acrílico, tinham pessoas lendo as mensagens, outras ao telefone, gente era para todo lado.
Mas o olhar não deixou de perceber que havia algo mais, os ouvidos todavia começaram a sentir um toque doce, notas e mais notas ligeiras soadas por um exuberante piano. Eles tocavam músicas consagradas e esquecidas, havia uma roda de pessoas apreciando o momento.
O pianista sentado em seu banco feito de madeira maciça e acolchoada, comandava as canções, as notas iam se vinham nas mentes das pessoas e faziam bocas mexerem e olhos brilharem. Um senhor, um pouco velho, com cabelos brancos, nariz comprido, olhos pequeninos, trajava uma roupa humilde, mas muito adequada para a ocasião, era um cantor, daqueles que tinha na voz a ternura que emocionava os corações, a solidez de um tenor e o gracejo da calmaria, ele nos olhava com um olhar de gratidão, de poder em sua avançada idade mostrar seu talento, o rouxinol que trazia em sua garganta de velhas cordas fortes.
Apoiada sobre o piano, havia uma mulher com a idade avançada, assim como o velhinho bacana, ela cantarolava com amor as músicas de sua juventude, fechava os olhos com êxtase e entoava sua voz leve para o alto, era uma pessoa muito feliz e generosa, não a conhecia, mas sua feição a entregava.
As canções e notas foram tocadas, pessoas iam e vinham, a maioria delas apressadas, no entanto aquela noite valeria mais a pena, pois a beleza que fora vista, refrigerou os corações.
- M. Leite
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Noite qualquer
Vestido verde, pano leve. Devidamente dobrado, com requintes de quem sabe fazer a dobra perfeita. Por sobre ele uma calça jogada, largada como se fosse um mal a ser destruído. Uma regata branca que completava o monte foi carregada pelo vento, moleque travesso que brinca com qualquer coisa. Vai levando e jogando de um lado para o outro. Nesse balé jovial, uma onda mal humorada não quer brincar.
- Não aceito a brincadeira, agora é minha.
E toma a blusa e carrega consigo. Irá levar para Iemanjá? Talvez.
A lua que de cima assiste tudo joga sua luz por entre nuvens foscas e arredias. Não gosta de ser chamada de farol do céu. Sente-se mais um preciso solitário a reluzir pela negra noite. Noite que é nova, sete e trinta.
- Amor, tá na hora? Pergunta quem não sabe o que fazer.
O vento moleque não quer parar de brincar. Encontra outra coisa para fazer.
- Vou ecoar os sons! E arrasta gemidos pela praia. Gemidos que viram uivos, uivos que gritos, gritos que viram barulho, barulho que vira som estridente.
- Pega ele!
- Se ferrou rapá.
A onda ainda joga as suas franjas na praia. Resfria os corpos quentes, que adormeceram aos seus pés.
- ReVitor
[Esse conto, foi escrito por ReVitor, alguém que tenho muito apreço e uma mente brilhante para a sabedoria de letras]
sábado, 14 de maio de 2011
Lilac Wine
Entre as luzes e o verde da grama, abri meus olhos, estava lhe esperando em baixo da parreira, os raios de sol contornavam as folhas e os cachos das uvas viscosas, ele as ultrapassavam, brilhava no chão seus raios, ele tomou conta de mim também, me aqueceu, me fez pensar o tanto quanto estive esperando por você, estive pensando o tempo todo os dias que estávamos unidos, os beijos daquelas noites, o perfume de seu pescoço, e o sorriso que me embriagava dentro de minha própria mente.
Estava aqui pensando em todos os acordes que nossas vidas tiveram, as qualidades dos encontros, e o afeto generoso. Algumas folhas caíam sinuosamente dos ramos, e algumas delas caíam e giravam até o chão, outras flanavam no ar como um pouso feliz e final de alguma jornada, dessa última eu me comparo como ela, que vim lá do ramo das belas e saborosas uvas, mas eu estive com você um tempo e depois tudo acabou, você se foi e eu continuei. E quando nosso amor se foi eu flanei sobre o ar até tocar a terra molhada e lhe beijar uma última vez para me lembrar todo o tempo que perpetuou nosso amor.
Hoje o sol me aquece cada dia mais, o orvalho me molha regularmente e em pouco dias estaremos juntos de novo, voltaremos a nos amar e aquecer-nos novamente, pois eu esperaria uma eternidade parar ter seu sorriso próximo de mim de novo, mesmo que por um minuto. Estou esperando o tempo me presentear com minha ida, pois meu peito anseia você.
- M. Leite
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terça-feira, 10 de maio de 2011
Assoalho escarlate
Entre as alvas tranças estiradas sobre o chão, nós de cetim lilás as ajeitavam, o grande volume de cabelo tinha um aspecto grotesco, havia tons amarelados e fios negros, a cabeça estava caída, os olhos fora de sua órbita, a boca franzida e escoriações de orelha a orelha. O golpe foi certeiro, fez se um estrondo, a gravidade atraiu seu corpo e o tragou de súbito. Os assoalhos velhos e secos de maus tratos, fora encerado pela viscosidade escarlata, houve apenas um gemido e um tremor, os berros e aflições foram emanadas para seu interior.
De grossa e robusta árvore fora feito, tão eficiente quando perversa, empunhada por mãos fortes e sem opinião, somente cumpriram o acordado.
- M. Leite
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