Social Icons

.
Mostrando postagens com marcador canções. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador canções. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de maio de 2012

Exército Musical




De assalto percebe que foi tocado por algo, que dirá, um sentimento bonito, dócil ao peito e tranquilizador para mente, muitas das vezes é o que mais acontece quando ouvimos. Ainda que tarde todos nós, ou quase todos, temos lembranças empoeiradas. Embora volta e meia as puxamos sem que percebamos, e obviamente por algum motivo.
                São elas, belas e diversas, as canções, o que mais pode-se levar de uma canção? Muitas coisas, tantas que sequer pode contar. Parte delas atacam como um exército, entoam suas vozes para o ar e atingem o alvo, sua sutil dualidade ou quem sabe subliminaridade. O governo, a mídia, e pessoas, perderam a batalha para elas, apesar de toda beleza e sonoridade a mensagem outrora fora ácida.
                Lembrar de pessoas a partir delas, ainda assim gostaria de poder escolher as que lembrarei, é um jogo doloroso as vezes, todavia quando é para o gozo, estará nas nuvens e beijando sua sublime lembrança. Assim como faria se encontrasse fotos antigas.
                Arrepios podem nos encontrar, se pensar no talento daquela que cantava, ou daquele que tocava, como poderiam ser tão abençoados ao ponto de serem imortalizados aqui por sua arte e maestria. Sinto falta deles, dos grandes cantores, cantoras, músicos e compositores. A musica é a alma, é o amor, é poesia, as pessoas esqueceram disso, o que mais importa hoje são as vendagens e os prêmios.
                Sinto cheiro toda vez que ouço Jazz, sinto cheiro do temor e o racismo, já o sertanejo sinto cheiro da humildade, a MPB o fedor da burguesia, mas não tão fétida como pensam, também um pouco de lavanda, no Blues eu sinto cheiro das lágrimas e o lamento incessante, e na Clássica eu sinto o sabor da loucura, algo pouco conhecido, somente aos artistas.
                O mundo é belo, o universo quem sabe, mas imponho-me contra a arte, a abraço e fumego de minhas ventas que sem a música o mundo seria feio e pavoroso. Algum dia se a encontra-la terei o prazer de chama-la para um concerto. Incrível como ela é suscetível a esses programas.
                Ainda que o mundo acabe em guerra, falta d’água, estarei eu nos céus e pensando quanto tempo perdi em não conhecer mais sons e acordes. Friamente olharia para todos ao meu redor que impulsionados são a recorrer apenas ao business da indústria. Afinal, se recorda da canção que era um grande sucesso há dois anos atrás?
                Creio que de toda minha tolice e presunção, saiba que há diferentes níveis, assim como nos temos juízes, presidentes e governadores, no mundo musical tenha o mesmo, essas novinhas que morrem em menos de um ano, aquelas rejeitadas pelo publico e rádios, quem sabe são os funcionários públicos de menor renda, e quem sabe um grande hino do amor ou amizade seja um presidente, mas claro que o hino seria verdadeiro e generoso. Ou talvez sejam como nuvens, algumas baixas e opressoras e outras altíssimas e tranquilas.
                O que se deve ouvir é o que seu coração pede, independente da opinião de um texto, radialista ou familiar, o que se ouve é o que você mostra ser. Saiba que seu gosto musical forma sua personalidade, apenas tome cuidado para não ser insossa demais até para ser uma nuvem opressora, pois entre o céu e a terra existe também o esquecimento.

- M.Leite

sexta-feira, 10 de junho de 2011

No metrô

Os passos estavam calmos, andavam vagarosamente entre aquelas centenas de pés que rumavam em uma só direção, havia muitas cabeças, de muitos tamanhos e ornamentos diferentes, algumas tinham bonés, outros chapéus, lenços, faixas e uma e outra sem fio algum. As feições eram as mais diversas, algumas preocupadas, outras emburradas, algumas sorridentes e outras com sobrancelhas altas e olhos arregalados de pressa.
O embalo da escada que rolava era vagaroso, as bolsas incomodavam os que passavam, outros ficavam na frente como se nada tivesse acontecendo, a escada não parava e entrava e saia pessoas nas extremidades da superior para inferior.
Defrontavam com algumas pilastras de madeira e acrílico, tinham pessoas lendo as mensagens, outras ao telefone, gente era para todo lado.
Mas o olhar não deixou de perceber que havia algo mais, os ouvidos todavia começaram a sentir um toque doce, notas e mais notas ligeiras soadas por um exuberante piano. Eles tocavam músicas consagradas e esquecidas, havia uma roda de pessoas apreciando o momento.
O pianista sentado em seu banco feito de madeira maciça e acolchoada, comandava as canções, as notas iam se vinham nas mentes das pessoas e faziam bocas mexerem e olhos brilharem. Um senhor, um pouco velho, com cabelos brancos, nariz comprido, olhos pequeninos, trajava uma roupa humilde, mas muito adequada para a ocasião, era um cantor, daqueles que tinha na voz a ternura que emocionava os corações, a solidez de um tenor e o gracejo da calmaria, ele nos olhava com um olhar de gratidão, de poder em sua avançada idade mostrar seu talento, o rouxinol que trazia em sua garganta de velhas cordas fortes.
Apoiada sobre o piano, havia uma mulher com a idade avançada, assim como o velhinho bacana, ela cantarolava com amor as músicas de sua juventude, fechava os olhos com êxtase e entoava sua voz leve para o alto, era uma pessoa muito feliz e generosa, não a conhecia, mas sua feição a entregava.
As canções e notas foram tocadas, pessoas iam e vinham, a maioria delas apressadas, no entanto aquela noite valeria mais a pena, pois a beleza que fora vista, refrigerou os corações.


- M. Leite
 
 
Blogger Templates